Romeu: sashimis de atum e salmão com gergelim, sobre geleia de pimenta cobertos de couve crisp

Uma idea na cabeça e um bom peixe nas mãos. Assim o Sushi Hiroshi vai conquistando uma clientela fiel, na Zona Norte, como o amigo Alê Daloia, que me fala deste lugar há mais de três anos. Finalmente estive por lá no fim de dezembro, para cumprir a promessa gastronômica, e devo confessar que devia ter ido antes ao ‘japa de Santana’.

Kaisen Salada: sashimi de salmão temperado com gengibre e cebolinha, limão, shoyu, azeite e tabasco

Entre as diversas razões para sair do circuito Liberdade e conhecer o Hiroshi estão entradas simples e surpreendentes como a Kaisen Salada (R$ 23). Nesta espécie de ‘sashimi-carpaccio’ casa fatia de salmão é servida com uma bolinha de gengibre e cebolinha em um prato temperado na hora azeite, shoyu, limão e gotinhas de primenta Tabasco. É tão simples, que você fica se perguntando por que não pensou nisso antes para fazer em casa. Pode até ser, mas antes tem de provar o original.

Sushis do 'combinado do chef'. Destaque para o massagô recheado de salmão e cream cheese, envolto em ovas de caranguejo

Na sequência, outro prato que merece destaque é o Romeu (R$ 38 a por cão inteira e R$ 23 meia porção). O nome não tem nada de japonês e não está no cardápio, mas é só pedir. “Foi o Romeu, um funcionário da casa que criou o prato”, conta Francisco Hiroshi, um dos sócios do restaurante ao lado do irmão Júlio. E a ideia do Romeu merece ter seu nome: sashimis de atum e salmão brevemente grelhadas e envoltas em gergelim sobre geleia de pimenta, cobertas com uma deliciosa couve frita bem crocante. Um delicioso mix de sabores e consistências.

Sushi de morango e couve crocante

No terceiro ato, Alê pediu um combinado bem interessante de sushis. O que mais gostei foi o massagô (sushi recheado de salmão e cream cheese envolto em ovas de caranguejo), mas a combinação de morango e couve crispi também estava ótima, assim como o sushi de kani envolto em uma fina fatia de omelete e o salmão skin.

Rabanete curtido pede cerveja gelada

A dica do Francisco é pedir o ‘Combinado do Chef’, que sai por R$ 90 e inclui as duas entradas que mencionei, além do combinado de sushis. Segundo ele, a sequencia é feita para uma pessoa, mas pode servir até duas.

Boa saladinha de pepino curtido e kani

Acabei não mencionando a ótima saladinha de pepino de cortesia e o rabanete ‘salmão’ curtido que vai muito bem com a cerveja de garrafa bem gelada servida no Hiroshi. Está aí um lugar para incluir na lista de promessas gastronômicas para 2011 e voltar sempre.

Japa de primeira fora do circuito Liberdade

Veja mais fotos do Sushi Hiroshi no Flickr do Braun Café.

Sushi Hiroshi – Rua Capitão Manuel Novais, 189 – Santana – São Paulo (SP). Tel: (11) 2979-6677 / 2978-7128
Horário de funcionamento: Segunda a sábado, das 11h30 às 14h30 e das 18h30 às 23h15. Domingo até 22h30. Fecha às quartas-feiras. (Aceita cartões e tem manobrista).

Sashimis de atum e salmão com gergelim, sobre geleia de pimenta cobertos de couve frita

Beijo ciao!

dezembro 29, 2010

Nova bottega no Paraíso oferece vinhos, cervejas e petiscos italianos

Quem busca um happy hour ou até jantar gostoso e sossegado pode encontrar abrigo, cerveja, bons vinhos e petiscos italianos no recém-inaugurado “Ciao! Vino & Birra”.

Em uma região tranquila da Rua Tutóia, no bairro do Paraíso, a charmosa ‘bottega italiana’ aberta no fim de novembro é o primeiro projeto de três chefs de cozinha, que acumulam nos aventais experiências variadas – de eventos a cozinhas internacionais.

Rosé chileno da Viña Aquitania (R$ 55) em uma tarde de sábado na varanda

O cardápio, prático, já vem impresso no jogo americano oferecendo entradas, massas e petiscos bem ‘Itália lá em casa’ como o molho pomodoro acompanhado de porção de pão italiano – inspirado do estiloso BottaGallo, dos mesmos donos do Astor, do Original e da pizzaria Brás.

Atendimento simpático, a cargo dos donos (ex-chefs), e preços amigos

O simpático chef Edu, que atende as mesas ao lado dos sócios com muita simpatia, traz passagens por praças como o D.O.M. Restaurante, além de uma temporada de três meses no renomado catalão El Bulli. “Quando me disseram para descascar a pele da noz achei que era trote”, conta ele, relembrando a passagem pela revoluncionária e disciplinada cozinha de Ferran Adrià.

Porção de brusqueta no pão foccacia (R$ 15)

O atendimento é muito amigável assim como os preços. Em minha primeira visita provei a saborosa e bem servida porção de brusqueta com molho pesto em pão foccacia (R$ 15) – eu só trocaria o pão, um tanto alto, para equilibrar. Recomendo as lascas de grana padano (R$ 16), acompanhadas de aceto balsâmico, e as cremosas batatas bravas servidas com estilo em marmita de alumínio.

A carta de vinhos traz rótulos da importadora Zahil como o delicioso rose chileno Aquitania (R$ 55) e o surpreendente nacional Pizzato Chardonnay (R$ 42). A casa também oferece cervejas de garrafa (600ml) e long necks, por enquanto restritas às marcas da Ambev.

Queijos variados (R$ 23) servidos em placa de piso cerâmico. Destaque para o queijo de cabra com fatias de figo desidratado

Na visita mais recente, a Stella Artois de garrafa grande e bem geladinha foi uma boa pedida com a porção de queijos variados (R$ 23), que vale muito a pena. Destaque para o suave queijo de cabra acompanhado de finas fatias de figo desidratado, que agradou a todos. A apresentação também merece nota: os queijos servidos em uma placa de piso cerâmico, segundo Edu, fazem referência ao serviço do El Bulli.

Local sossegado atrai moradores do bairro para happy hour e jantar

No andar superior há um ambiente aconchegante para pequenos eventos. Pode ser uma boa para dar um ‘ciao’ ao ano que vem por aí. Tenha um feliz e saboroso reveillon!

Beijo, ciao e até 2011!

Ciao! Vino & Birra – Rua Tutóia, 451, Paraíso – São Paulo (SP). Tel (11) 2306-3561

Caldinho de feijoada com fio de azeite em xícara de porcelana. Pimenta da casa vai bem

Atualização (20/08/2011): O Azulejo Pernambucano fechou na Al. Franca há alguns meses e reabriu no Lounge e Bistrô Estação Caneca (Rua Frei Caneca, 384 – Consolação). Dica do Marcelo Katsuki.

O Azulejo Pernambucano é um bom exemplo de que é possível servir boa comida, com estilo, a um preço acessível, na cada vez mais cara capital da gastronomia. Aberto há cerca de sete meses no bairro paulistano dos Jardins, o pequeno e charmoso restaurante oferece um menu degustação com entrada, três pratos, suco e buffet de sobremesa por R$ 35 – nada mais, nada menos.

Azulejo Pernambucano: Brunch nordestino (R$ 35 com suco e sobremesas à vontade)

O segredo vem da experiência do simpático e caprichoso chef André Palma, que fez carreira na área de eventos em Recife e agradou paulistanos com sua culinária regional. Atendendo a pedidos, ele aposta em um “bistrô pernambucano”, localizado em um charmoso espaço no andar superior de uma academia de yoga, na Alameda Franca.

O esquema de buffet é reproduzido na pequena cozinha do restaurante. Como os pratos são fixos, o chef já tem tudo preparado para esquentar e servir aos clientes, pessoalmente e com muito apreço.

Suave suco de graviola e castanhas de caju

Antes de descrever a experiência, quero destacar que o crédito da descoberta vai para a querida Cris Sato, que conheci graças ao Braun Café. Há cerca de duas semanas fomos conhecer juntas este lugar especial, em um almoço delicioso temperado com um bom bate-papo sobre comidinhas do mundo.

Menu degustação começa com picadinho de carne e farofa de cuscuz

Enquanto esperávamos ansiosas pela degustação, beliscando algumas castanhas de caju, escolhemos o suave e refrescante suco de graviola natural, que acompanhou nossa refeição. O cardápio oferece suas opções de suco à vontade, mas depois de provar o de graviola nenhuma das duas quis trocar a próxima taça pelo sabor maracujá.

Segunda delícia: macaxeira cozida e carne seca acebolada

Logo na entrada, além da decoração charmosa, o chef mostra seu capricho. O cremoso caldinho de feijoada com um fio de azeite veio servido em uma linda xícara de louça antiga. Duas gotinhas da pimenta vermelha da casa e o sabor de aventura ficou perfeito.

Arrumadinho para comer desarrumado: carne de sol picadinha, feijão de corda, vinagrete e farinha

A sequencia de degustação vem servida em pratos pequenos, como de sobremesa. Pode parecer pouco, no começo, mas vale lembrar que são três pratos diferentes. Além disso, você precisa reservar espaço para as sobremesas, que são muitas e muito boas.

André Palma, o chef: experiência em eventos, capricho e uma ótima ideia

O cardápio é sempre modificado, mas naquele sábado a sequencia de pratinhos começou com um gostoso picadinho de carne com legumes sobre farofinha amarela. Em seguida veio o meu favorito: macaxeira cozida com manteiga de garrafa e carne seca acebolada no ponto certo. E o terceiro prato foi o Arrumadinho (feijão de corda, carne de sol em cubinhos, farinha de mandioca e vinagrete). Seguindo a recomendação do chef, provamos tudo ‘desarrumadinho’ mesmo.

Bolo de rolo com toque de goiabada mole, macaxeira e delícia de abacaxi

E aí? Reservou espaço para ler a sobremesa? Então prepare-se para fazer pelo menos duas viagens à vasta mesa de doces regionais. Logo avistei o clássico bolo de rolo, impecável e cortado bem fininho pelo chef.

A fatia do clássico bolo pernambucano com goiabada era tão fininha que peguei duas sem perceber em eu primeiro pratinho, com um pouco de goiabada mole por cima, um pedacinho do bolo molhadinho de macaxeira e a delícia de abacaxi, cujo nome não precisa de modéstia – o creme de abacaxi em pedaços, uvas passas e doce de leite é delicioso mesmo.

Bolo de rolo, macaxeira, compotas, pudim de café e muito mais no buffet de sobremesas

“Mais geleia? – Mais geleia”, ja diria Picolino. Então fiz mais um pratinho com bolo, compota de banana e um pedaço do sensacional pudim de café. Adoro pudim, adoro café e estava realmente muito bom.

Suspiros no final e um café fresquinho coado na hora finalizaram o almoço perfeito. A xícara e o açucareiro mimosos, no pique de ‘casa da vó’, foram escolhidos a dedo pelo chef em feiras de antiguidades como a do Bixiga.

Café coado na hora e louças de antiquários

Para quem se inspirou e quer conhecer o Azulejo Pernambucano, o local também serve almoço executivo, com entrada, salada e um prato principal, e jantar na mesma faixa de preço do brunch dos sábados.

O Azulejo não faz reservas. O negócio é ligar antes para checar os horários e chegar cedo ou esperar um bocadinho porque o local tem poucas mesas. Marquei com a Cris às 13h15 e encontramos mesa para dois. Outra dica é ir em até quatro pessoas para se acomodar melhor.

Mesinhas no corredor de entrada do pequeno bistrô

Seguindo o esquema ‘minimalista’, a carta de bebidas se resume, por enquanto, aos vinhos Rio Sol (produzidos no Vale do São Francisco), mas acho que o chef vai acabar aumentando a pequena adega climatizada e o empreendimento, que tem de tudo para ganhar muitos azulejos.

Azulejo Pernambucano Lounge e Bistrô Estação Caneca
Rua Frei Caneca, 384 – Consolação
Tel.: (11) 2371-5744

Yakitori: espetinhos à moda japonesa e um surpreendente cardápio de iguarias quentes

A cultura gastronômica japonesa é tão vasta e saborosa, que me afasto cada vez mais dos rodízios e me surpreendo com as especialidades. Há algumas semanas, a querida Celi, amiga dos bons tempos do rock e leitora deste blog, me apresentou o Yakitori, restaurante japonês em Moema especializado em robatas e em uma infinidade de iguarias quentes, além dos sushis e sashimis. A qualidade, os temperos e a simpatia no atendimento atraem uma clientela fiel capaz de lotar o restaurante no meio de um feriadão prolongado.

Takaaki Yasumoto, o Taka: experiência no Japão, Canadá e de berço com a mestre Shizuko Yasumoto

O nome Yakitori (yaki = grelhado; tori = frango) faz referência ao tradicional espetinho de frango à moda japonesa, explicou o chef Takaaki Yasumoto, que coloca em prática anos de experiência no Japão e no Canadá, além do aprendizado de berço. Sua mãe, Shizuko Yasumoto, é uma das mestres da culinária japonesa no país. Veja a versão em PDF de um dos livros de receitas da senhora Shizuko:  “Cozinha Regional Japonesa”.

Oden, acelga picante e saladinha com 'Wofu Dressing', o molho do chef vendido em supermercados

Com todo esse background, o Taka, como é chamado pelos amigos, já inventou até um molho de salada à base de shoyu, que é comercializado em supermercados como o Pão de Açúcar. O Wafu Dressing é o responsável por educar o paladar do Guilherme, filho da Celi e do Pedro, para saladas. O pequeno e simpático gormet já sabe o que pedir e não deixa sobras no prato. Ele aprendeu a apreciar a comida japonesa desde pequeno, já que o pai é amigo de infância do Taka e o restaurante é ponto de encontro da turma.

Oden: legumes, tofu e trouchinhas cozidos em molho a base de shoyu e peixe

E foi nesse clima familiar e descontraído do Yakitori, que participei de um verdadeiro banquete entre amigos. Pedi uma cerveja Kirin Ichiban para celebrar e deixei a turma escolher por mim. A única coisa que pedi para provar foi um oden.

A saborosa Kirin Ichiban para abrir o apetite

O oden é um prato japonês feito com legumes (cará, batatas), ovos, algas, tofu etc. cozidos em um caldo leve, a base de shoyu e peixe.

No restaurante é possível pedir os itens individualmente (de R$ 3,50 a R$ 5,90 cada) ou o oden completo (R$ 36,90) . Escolhi uma trouchinha feita com massa de tofu, recheada de cogumelos e legumes, que é servida com um pouco do caldo e mostarda com raiz forte.

Massa de tofu recheada de legumes e cogumelos (a mostarda com raíz forte é 'forte' mesmo)

Na minha santa ingenuidade [Batman], mandei ver na pasta amarelinha. Fiquei ‘emocionada’, chorando o ardor do tempero, o que foi engraçado no fim das contas.

Acelga picante no estilo coreano para acompanhar os espetinhos

O banquete começou com uma saladinha de alface, cenoura ralada e kani, com o molho especial do Taka. Naquele momento entendi porque o Gui gosta tanto de salada. Na sequência, acelgas cozidas em um tempero picante e muito saboroso chegaram para acompanhar os grelhados.

Chawan mushi: creme de ovos e cogumelos bem temperado, quentinho e reconfortante

Entre os pedidos da mesa estava uma interessante cumbuca de arroz japonês coberta de carne de frango moída e um ovo cru, que deve ser misturado na comida. Provei um pouquinho do lamen com carne fatiada e caldo bem suave. Destaque para o chawan mushi – espécie de pudim quente de ovos e cogumelos cozidos ao vapor – muito bem temperado, quentinho e reconfortante.

Lamen com carne e legumes: saboroso e suave

Entre os variados espetinhos, os preços das variedade de carnes de frango vão de R$ 3,95 a R$ 4,50 a unidade. Os espetos de legumes variam de R$ 3,60 (quiabo) a R$ 5,90 (aspargos com bacon) e o de ostras grelhadas sai por R$ 18,60. Gostei muito das robatas de ovos de codorna, tomate cerveja enrolado em bacon (criativo e delicioso), quiabo (vale lembrar que, há uns quatro anos, eu não comida quiabo nem com o melhor molho do mundo), frango e o campeão: aspargos com tirinhas de bacon.

Tomate cereja envolto em bacon: simples e delicioso

Experimentei um pedacinho do espetinho de fígado de frango, mas o sabor forte não me agradou muito (essa é a única carne que só como bem passada mesmo). Já as tirinhas bem finas de língua de boi grelhada estavam perfeitas (adorei a ideia).

O campeão: aspargos perfeitos em tirinhas de bacon

Para finalizar, uma surpresa gostosa: berinjela grelhada com raspas de peixe, que dançam ao calor da comida. Acredito que o chef, como um bom observador, fez uma referência a um comentário que fiz sobre o Okonomiyaki, a ‘pizza japonesa’ salpicada de raspas de peixe servida no Izakaya Issa.

Beringela surpresa: grelhada com raspas de peixe 'dançantes'

“O molho eterno”
Em uma casa tradicional de ‘yakitori’, a tradição japonesa pede que os espetinhos sejam temperados em um molho a base de shoyu e saquê – a proporção, segundo o Taka, é secreta. Este molho, no entanto, não deve ser jogado fora, mas sim cuidadosamente fervido, coado e reciclado na proporção certa por toda a vida do estabelecimento. Há quem prefira o tempero somente com sal e ponto, mas o ‘molho eterno’ é o segredo do negócio.

Pelo tamanho deste post, você pode imaginar o quanto comi e o quão recomendável é o Yakitori. Serei eternamente grata à Celi por acompanhar o Braun Café e me apresentar esta deliciosa celebração da culinária japonesa.

Yakitori – Av. das Carinás, 93 – Moema, São Paulo (SP). Tel.: (11) 5044-7809

Yakitori: espetinhos à moda japonesa e um surpreendente cardápio de iguarias quentes

O personal chef Markus, do Wolf´s Garten, dando sabor especial aos dez anos de CBN Brasil

Toda sexta-feira, Carlos Alberto Sardenberg, querido companheiro do CBN Tecnologia da Informação, faz uma enquete entre os comentaristas do CBN Brasil: “Pé na jaca ou temperança?”, ele pergunta. No início de outubro, comemorando dez anos à frente do CBN Brasil, Sardenberg fez a escolha: ‘pé na jaca’ em alto estilo.

Após uma transmissão ao vivo muito especial tive a alegria de participar de um delicioso almoço oferecido pelo Sardenberg e por sua adorável esposa Cybelle, na casa deles, a todos os comentaristas e à equipe do programa.

Champagne Gosset e creme brulée de foie gras

O cardápio que você conhecerá a seguir ficou a cargo do personal chef Markus Wolf, que comanda o bistrô Wolf´s Garten, ao lado da esposa Mônica, em Pinheiros. O local também oferece cursos e um interessante menu executivo de almoço – às sextas o tema é a culinária austríaca, influência da terra natal do chef.

O responsável pela harmonização foi Renato Machado, que selecionou belos vinhos, com destaque para o Riesling Dönnhoff 2008 da região do rio Nahe, na Alemanha. Na entrada fomos recebidos com o refrescante e suave champagne Gosset (na hora me lembrei do Gossedelícia, o milagre natalino do amigo Maurício), queijos e frutas secas.

Harmonização de Renato Machado: destaque para o Riesling Dönnhoff 2008 da região do rio Nahe

Cheguei já de olho na cozinha e percebi que o chef Markus finalizava, com o maçarico, uma série de potinhos de louça com um creme claro. Sobremesa adiantada? Não, entrada: um saboroso creme brulée de foie gras.

O primeiro prato também impressionou: lula recheada com marcante chouriço, acompanhada de tagliatelle caseiro ao molho pesto e camarão rosa. Na sequência, um clássico: ‘tête de veau’, ou bochecha de vitelo, sobre risoto de palmito e azeite de trufa, com direito a repeteco do risoto, suave e no ponto certo.

Lula recheada de chouriço, tagliatelle caseiro com molho pesto e camarão rosa

Acompanhei a escolha das mulheres da mesa pelo italiano Boscarelli Vino Nobile di Montepulciano (2006), da Toscana, que agradou bastante. Depois fui anotar os nomes dos vinhos e o Renato comentou ter preferido o francês Domaine Antonin Guyon Savigny-lès-Beaune Villages 2007, mas ce la vie. Sinceramente, naquela tarde, todas as escolhas eram certas.

‘Tête de veau’, ou bochecha de vitelo, sobre risoto de palmito e azeite trufado

Finalizamos a celebração com nísperos glaceados acompanhados de mousse de Toblerone e um bom Nespresso tirado pelo sorridente Sardenberg. Saímos de lá felizes da vida após uma tarde perfeita.

E depois de um ótimo bate-papo sobre livros, trabalho, amores e gastronomia, ainda fui presenteada pela Cybelle com seu livro “Sabores Inconscientes – Receitas sem Culpa”.

Sem culpa: mousse de Toblerone com nísperos glaceados

O projeto publicado em 2008 traz relatos (e receitas com harmonização) de doces, salgadas e apimentadas memórias gastronômicas de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas, da infância à vida adulta. Foi só começar a beliscar as páginas para devorar o livro. Recomendo essa deliciosa leitura.

Wolf´s Garten – Rua Lisboa, 284 – São Paulo – SP. Tel: (11) 3088-4376