Osteria: semifredo ao capuccino com 'ragú de frutas vermelhas'. Se criassem uma 'Dessert Week' seria uma sucesso

Sexta e sábado experimentei os cardápios promocionais de dois italianos participantes da 7ª São Paulo Restaurant Week, que acontece até 12 de setembro na cidade. O jantar do tradicional Don Carlini, na Mooca, estava excelente e o menu do Osteria foi bem executado, mas o que me chamou mais a atenção foram as sobremesas.

Entre as opções oferecidas pelo Don Carlini estava um maravilhoso pudim de pão, acompanhado de sorvete de creme e de uma calda de laranja que fez toda a diferença. Vou dar a dica para minha Tia Loque, que me apresentou seu delicioso pudim de pão com cravo e passas, na infância. Nem preciso dizer que saí do restaurante feliz como uma criança.

Sensacional 'Budino di pane' do Don Carlini na Restaurant Week 2010

No Osteria, o ponto alto do almoço, fora das cervejas importadas, foi o semifredo ao cappuccino extremamente cremoso e perfeito com a calda de frutas vermelhas. Pena que o doce tinha quase um ‘tamanho degustação’.

Bem que a organização do evento podia criar uma ’Dessert Week’. No fim das contas, ou melhor, antes delas, não costumo pedir sobremesas toda vez que vou comer fora. Acho que o cardápio completo acaba trazendo deliciosas surpresas no final, honrando patissiers e profissionais destas praças.

Carpaccio milimetricamente fatiado, com rúcula, molho de alcaparras, pedacinhos de alcachofra e parmesão

Voltando às entradas, fui ao Don Carlini da Mooca por ser o mais tradicional, mas há duas casas na Zona Oeste (Vila Madalena e Perdizes). Fiz minha reserva para jantar em uma sexta-feira, na véspera de um feriado prolongado, então peguei o maior trânsito da história até o começo da Radial Leste.

Embora a região da Rua Dona Ana Neri não seja lá muito amigável, o clima da ‘famiglia italiana’ do local aberto há 25 anos fez tudo valer a pena.  Na entrada, havia uma festa [de casamento, creio eu] com banda ao vivo tocando somente clássicos italianos. É praticamente impossível não recordar de ‘Don Corleone’ diante daquele cenário decorado com painéis de tecido imitando ruas da Itália, das crianças brincando do lado de fora, das bandeiras de províncias italianas e de tudo mais “Michael…”.

Paleta de leitão assada com batata doce, alho assado e legumes em cartoccio. (Sorry pelo flash, mas é duro fotografar à luz de velas)

Fui conduzida ao salão principal do restaurante, iluminado à luz de velas – uma pena para a iluminação das fotos, mas muito romântico – e onde o som do ‘Arrivederci Roma’ não chega. Para embalar o momento, em uma noite quente e seca, optei por um refrescante Lambrusco (R$ 41), com baixo teor alcoólico (8%), que acompanhou bem o jantar.

Entre as opções do menu promocional, escolhi um gostoso carpaccio fatiado milimetricamente com molho de alcaparras, pedaços de parmesão e algumas alcachofras.

Cabrito à moda do cardápio regular (R$ 49). Leve fetuccini da casa no lugar de batatas e arroz

Depois de provar o levíssimo fetuccini na manteiga que acompanhava o macio cabrito escolhido pelo Fábio (R$ 49) suspeitamos que o pessoal da cozinha adote o método ‘Bons Companheiros’ de corte (cena em que um dos mafiosos, na prisão, corta o alho com uma lâmina para preparar o jantar). A massa fez tanto sucesso que comprei um pacote (R$ 9) na lojinha do Carlini, que vende massas frescas, secas, molhos e polpettines.

Opção do Don Carlini na Restaurant Week - Fettuccine com presunto cru, grana padano, salvia, radicchio e pinoli

Meu prato principal foi a Paleta de leitão assada e desossada servida com batata doce e legumes em cartoccio temperados com alho, tomilho e azeite. A carne envolva em uma crosta ‘tipo pururuca’ estava bem macia e suave. Os legumes não tinham tempero, mas minha amada abobrinha estava lá e uma cabeça de alho assado doce e cremoso deu um sabor especial ao prato.

Polpettinis, molhos e massas artesanais à venda no Don Carlini

Depois do pudim de pão sensacional e de um bom café fomos para casa contentes. O serviço foi atencioso e o poderoso chef do Don Carlini ainda ganhou pontos com o Fábio, ‘Don Bolsarini’. Para minha alegria, ainda ganhei um vale-sobremesa grátis no próximo jantar. Oba!

Salada Osteria (rúcula, radicchio, tomate rústico, mussarela de búfala, aliche e tapenagem de azeitonas pretas)

No Osteria, eu e Cecília tivemos o dia do ‘almoço grátis’ já que ela ganhou um ‘Vale-Restaurant Week’ para o local. Demorou um pouco para termos um garçom ligado em nossa mesa, mas depois acertaram no atendimento e pedimos a carta de cervejas. Sim, cervejas harmonizam com tudo, especialmente com um sábado de muito sol. A carta tem opções interessantes. Provamos a ótima tcheca 1765 (R$ 14 – 500 ml) e a saborosa e levemente frutada 8.6, da Holanda (R$ 12,90 a lata de 500 ml).

A holandesa 8.6 entre as opções de cervejas especiais do Osteria

Como o almoço era ‘free’ aceitamos o couvert (R$ 10) com pães variados (alecrim e pão de lingüiça) gostosa tapenade de azeitonas pretas e patê de ricota com manjericão. Optamos pela Salada Osteria (rúcula, radicchio, tomate rústico, mussarela de búfala, aliche, tapenagem de azeitonas pretas). Tempero com azeite de pimenta e azeite de manjericão. A outra opção seria polenta com molho à bolonhesa gratinada, mas nossa escolha principal já tinha polenta.

Galeto ao molho de tomates e cogumelos (ragú de Paris'), polenta cremosa e agriãozinho

O galeto com molho de tomates e cogumelos, polenta mole e agriãozinho estava bem saboroso. Eu até podia dizer que comi frango com polenta e que assim é fácil entrar na Restaurant Week, mas a comida estava bem preparada.  Especial mesmo foi o bate-papo com Cecília, além das cervejas e do semifredo. Talvez um dia a gente volte para repetir o doce.

Don Carlini – Rua Dona Ana Neri, 265 – Mooca – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3208-2024. Estacionamento com manobrista (R$ 10). Também conta com unidades em Perdizes (Rua Monte Alegre, 835. Tel.: (11) 3801-3750) e na Vila Madalena (Rua Mourato Coelho, 1325. Tel.: (11) 3032-6881).

Osteria – Rua Manuel Guedes, 243 – Itaim – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3073-1287. Estacionamento (R$ 12).

AK: Frango Confit com repolho roxo agridoce e batata bolinha. Foto: Arquivo São Paulo Restaurant Week (SPRW)/Agosto 2010

Na segunda temporada de 2010 da São Paulo Restaurant Week, que começa nesta segunda-feira (30/8) e vai até 12 de setembro, o preço do almoço promocional (entrada + prato principal + sobremesa) aumentou de R$ 27,50 para R$ 29, além da doação de R$ 1 opcional à Ação Criança. Já o jantar teve seu valor mantido em R$ 39 + R$ 1 de doação.

Limonn: Saint Pierre com pomodorine, alcachofra e arroz negro

Limonn: Saint Pierre com pomodorine, alcachofra e arroz negro. Opções: Fraldinha flambada na cachaça com batatas à provençal ou Risotto de quatro cogumelos com queijo ementhal Foto: Arquivo SPRW

Como dizem os economistas “não existe almoço grátis”. A @RestaurantWeek_ já vinha mantendo os R$ 27,50 há algumas temporadas e resolveu reajustar. O negócio é aplicar seus preciosos R$ 30 em um lugar com cardápio interessante. Afinal, como já comentei antes, penne à bolonhesa e hambúrguer a gente pode comer em casa ou gastando bem menos.

Seraphini (só jantar): Pescado ao molho de frutos do mar guarnecido por couscous italiano amanteigado com vegetais. Foto: Arquivo SPRW

Nesta segunda temporada da iniciativa a lista de restaurantes aumentou de 200 para 210, mas senti falta de alguns lugares bacanas como Brasil a gosto e Cordel da Vila, que foram muito elogiados em outras edições e não tive a oportunidade de conhecer ainda. O Cordel, segundo minha amiga Cecília, companheira de Restaurant Week, dá para encarar fora da promoção.

Sobremesa do AK: Mousse Moccachino com chantilly de canela e ovomaltine. Foto: Arquivo SPRW

Este ano, inclusive, Cecília ganhou um voucher da organização do evento e vamos ao Osteria sem pagar o almoço. Neste caso, abriremos uma exceção à teoria do almoço grátis, mas teremos de pagar os 10% pela bebida, que pode até ser um vinho mais bacana para compensar. Aliás, sempre inclua os 10% na sua contabilidade durante o evento.

Galeto com polenta aromática, ragú de paris e agriãozinho. Foto: Luis Simione/Arquivo SPRW

Aos vegetarianos, a boa notícia é que muitos restaurantes se preocuparam em oferecem opções em carne e há também o Apfel, um bom representante do ramo, que volta nesta temporada com um menu apetitoso até aos que não têm restrições alimentares.

Obá: Burrito de frijoles ao estilo do norte do méxico. Opção: Enroladinho mar e terra da jôse de boipeba. Foto: Arquivo SPRW

Entre os integrantes da Restaurant Week, que você pode experimentar sem erro, recomendo o AK Delicatessen, que sempre traz um menu criativo e delicioso na linha judaica contemporânea, e o Obá, que faz uma fusão entre culinária asiática, brasileira e mexicana, e cujos donos fazem parte da organização do evento.  Tive uma ótima experiência também com os sabores tailandeses do Marakuthai. Agora estou de olho no Lola Bistrô no Don Carlini.

As dicas quentes de leitores e amigos, que continuam nesta sétima temporada, incluem Caroline, Emprestado, Limonn, Seraphini e Vinheria Percussi.  Já o Roux Bistrô deixou a desejar, no começo do ano.

Lola Bistrô: Brandade de bacalhau com purê de salsa francesa, castanha e tapenade. Opção: Cordeiro braseado com polenta mole, cogumelo crocante e pimenta biquinho. Foto: Rafael Wainberg/Arquivo SPRW

Na sexta temporada também estive no Ají com a Ciça, querida ‘restaurant friend’, e no Le French Bazar (saiba mais sobre eles no toast ‘O Bazar do Francês‘). O primeiro mandou muito bem na entrada com um ótimo escondidinho de tilápia, mas as opções de prato principal não eram tão incríveis e o creme brulèe de maracujá com gosto de ovos decepcionou. Já o simpático bistrô, cuja reserva me foi ‘emprestada’ pela Cris Sato, serviu um excelente ragú de costela com polenta. Só não gostei da relação custo x benefício do couvert (R$ 7 por pessoa por uma cesta de pães simples, patê de fois e manteiga).

Opção de entrada do Marakuthai - Salada de cuscus marroquino com hortalicas e castanhas. Foto: Arquivo SPRW

Recomendações

No toast da primeira temporada da Restaurant Week 2010, você também encontra comentários sobre restaurantes visitados, mas volto a repetir algumas dicas que considero importantes para sua felicidade gastronômica.

– Reserve e seja pontual
São Paulo é a capital mundial da gastronomia e há muitas pessoas como nós que também querem aproveitar uma semana promocional para experimentar restaurantes caros e concorridos. Telefone com antecedência, faça sua reserva, confirme no dia e chegue pontualmente. Caso contrário, prepare-se para enfrentar horas de espera.

– Os 10%
O menu é promocional, mas a taxa de serviço não. É importante considerar os 10% sobre os R$ 30 do almoço ou os R$ 40 do jantar e as bebidas. Se for compensar com um vinho mais caro, lembre-se da taxa.

– A pegadinha do couvert
No caso do couvert, que geralmente é servido sem que o cliente peça, uma dica é perguntar se é cortesia da casa, já que estão lhe ‘oferecendo’. Outra recomendação é checar se a oferta vai valer a pena. No caso do French Bazar achei que não valia R$ 7 por pessoa. Já no AK (veja as fotos do couvert), você pode se deliciar com pães caseiros macios e três patês (saladinha de ovos, pepino no iogurte com dill e patê de fígado de galinha) por R$ 12 (pode pedir para uma pessoa e dividir que é bem servido).

– Restaurant executivo
Muitos participantes da Restaurant Week oferecem ótimas opções de almoço executivo com preços acessíveis e até inferiores aos da quinzena promocional. No caso do Oggi, por exemplo, pode ser mais jogo almoçar por R$ 31 no Buffet completo do que entrar na promoção. Se você tem horário flexível ou trabalha perto de lugares como o Seraphini, nos Jardins, ou o AK, na Consolação, vai se surpreender com as opções acessíveis e incrementadas do almoço executivo, sem data para acabar.

– Deguste comentários antes e opine depois
Minha recomendação final é que você procure ler comentários dos restaurantes que deseja experimentar. Aqui no Braun Café muita gente já mudou minha rota na Restaurant Week e deixei de pagar micos. E depois de ter uma ótima ou terrível experiência em um dos participantes, sua boa ação será compartilhar as dicas com outras pessoas na rede. Espero seu comentário!

Próximos destinos
Depois de São Paulo, a Restaurant Week passa por Belo Horizonte (20 de setembro a 3 de outubro), Curitiba (27 de setembro a 10 de outubro), Rio de Janeiro (18 a 31 de outubro) e Recife (15 a 28 de novembro). Há previsão, ainda não confirmada, para Porto Alegre (de 4 a 17 de outubro) e Salvador (22 de novembro a 5 de dezembro).

Aventureiros do bairro japonês descobrem os sabores do Izakaya Issa

Junte a curiosidade com a vontade de comer e você vai descobrir o maravilhoso mundo da culinária japonesa, que não está nos rodízios. O bairro da Liberdade é o cenário perfeito para isso, mas é necessário ter as fontes certas. Recentemente, o amigo e gourmet Alê Daloia me apresentou o Izakaya Issa, um pequeno restaurante na Rua Barão de Iguape, comandado pelas simpáticas senhoras Margarida e Takai, que reserva grandes descobertas entre as iguarias do Japão.

Clube do shochu e do saquê entre os habitués

Para garantir seu agradável jantar sem esperar muito é recomendável fazer reserva alguns dias antes. Estive por lá em uma sexta-feira às 20h30 (em ponto) e às 9h30 as poucas mesas e o balcão já estavam lotados de locais ou pessoas que, como nós, adoram descobrir lugares especiais em São Paulo.

Peixe frito escabeche, nabo picante, acelga curtida e berinjelas

O modesto e aconchegante Izakaya Issa é, na verdade, um bar de saquês ou shochus (aguardente de batata, arroz e cevada leve e tão perigoso como o saquê) cujo cardápio oferece uma variedade de iguarias para acompanhar as bebidas de seus frequentadores – muitos deles com seus nomes escritos nas garrafas atrás do balcão.

Simpatia e cultura nos detalhes

Na prática e diante do valor da dose de saquê (R$ 20 o importado e R$ 15 o nacional), nos concentramos nos quitutes com cervejinha gelada de garrafa. Começamos com uma entrada de quatro sabores (R$ 20): nabo deliciosamente temperado com um leve toque de pimenta, acelga curtida, berinjela refogada e peixe frito escabeche.

Os incríveis copinhos de saquê (R$ 15 o nacional e R$ 20 o importado)

Vale aqui fazer uma pausa para as louças. Do apoio de hashi, ao copinho de sushi em porta-copo de crochê, tudo é servido em alguma peça que parece ter sido guardada cuidadosamente pela família, há anos, o que dá um ar ainda mais especial ao restaurante.

Tempurá de Lulas 'Adorei'

Começamos a degustação dos petiscos pelo tempurá de lulas muito macias, que merece o trocadilho de ‘lulas adorei’. A porção acompanha o molho de tempurá, mas a dona Margarida recomenda provar somente com sal. Aliás, siga as recomendações destas atenciosas senhoras e você vai se dar bem. O peixe meca grelhado que pedimos na sequência, por exemplo, não está no cardápio e é uma deliciosa recomendação.

Meca grelhado (sugestão da casa, fora do cardápio)

Antes do ‘prato principal’ também pedi um Chawan Mushi, que vi entre as dicas do frequentador Marcelo Katsuki. Ao destampar a linda cumbuquinha de louça você encontra um creme de ovos cozidos no vapor, com cogumelos shitake e shimeji, bem leve de tempero e quentinho para confortar o estômago.

Okonomiyaki, a 'pizza japonesa' salpicada de raspas de peixe 'dançantes'

E chegou a hora do esperado e tão falado Okonomyiake, a ‘pizza japonesa’, como apelidou Daloia. A  massa da ‘redonda’ leva repolho picado, pedacinhos de frutos do mar, maionese e molho tarê, salpicada com raspas finíssimas de peixe, que ficam ‘dançando’ com o calor do prato. Essa, de fato, é uma iguaria deliciosa e diferente de tudo que já provei na culinária japonesa. Só de espiar nas mesas ao lado dá pra sacar que é um dos carros-chefe da casa.

Deliciosos bolinhos de polvo servidos com raspas de peixe e molho tarê

Para fechar a primeira noite da confraria de curiosos e gulosos pedimos os bolinhos de polvo. A princípio pedimos meia porção, o que só é possível se outra mesa também pedir os bolinhos já que são preparados em uma grelha especial com forminhas redondas (já tinha visto em um episódio de ‘No Reservations’ em Osaka). No fim das contas devoramos uma porção de saborosos bolinhos e fomos felizes para casa após um banquete de novos sabores do Japão. É Issa aí!

Dona Takai manejando os bolinhos de polvo

Izakaya Issa – Rua Barão de Iguape, 89 – Liberdade. São Paulo – SP. Tels.: (11) 3208-8819 / 7677-4910. O estacionamento ao lado que sai por menos de R$ 10. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café.

Pousada Serrinha: convite ao 'modo offline' na região de Bragança Paulista

Quando quiser fazer uma viagem curta, no fim de semana, só para sair um pouco da correria, recomendo a região de Bragança Paulista. Em pouco mais de uma hora de viagem você já sente o ar puro, o clima de montanha e pode explorar as delícias locais.

A dica veio do Guia Quatro Rodas, na seção “10 passeios de um dia perto de SP”. Para escolher a cidade só me bastou ler a primeira frase do guia: “Quem visita Bragança Paulista tem um compromisso certo: experimentar a famosa linguiça da cidade, feita com pernil de porco e especiarias.”

Toalhas de chita e café fresquinho no forno à lenha

Comprometidos a provar a famosa iguaria e a passar dois dias ‘desconectados’ , eu e Dexter, nos hospedamos, no final de maio, na Pousada Fazenda Serrinha, que fica na Estrada de Piracaia, um local bem tranqüilo, mais afastado da cidade (R$ 180 a diária fora de temporada).

Café da manhã de fazenda

As quatro charmosas acomodações da pousada ficam em uma casa próxima à fazenda principal, comandada pelo Sr. Marcos e por sua esposa Ana, muito simpáticos e atenciosos com os hóspedes. O café-da-manhã de fazenda, com direito a bolos, pães, frutas e café fresquinho no forno à lenha, é servido em outra casinha com mesas de madeira e toalhas de chita até 10h30. O ideal é passar na cidade para comprar algumas guloseimas se não quiser sair a toda hora para as outras refeições.

Vista da fazenda durante a caminhada

Para dar um agito após o café, a dica é fazer a caminhada até o mirante no alto da propriedade, onde uma ´porta simbólica´ no meio da mata lhe convida a contemplar uma represa com belas casas particulares. No passeio, além do ar puro e do cheiro de terra, o visitante também respira ´arte´ entre  instalações ao ar livre e a loja-atelier ‘ Roça Chic’ onde a Ana, que também é responsável pela decoração dos ambientes, coloca lindas peças à venda. Em julho, o local abre espaço para palestras e shows (incluindo aulas de gastronomia) no Festival de Arte Serrinha.

Mirante da represa no alto da trilha

Na visita a Bragança Paulista, descobrimos a famosa lingüiça do Rosário. A iguaria feita artesanalmente desde 1948 é tradição do Bar do Rosário, próximo à igreja do Rosário, no centro da cidade, mas pode ser degustada no pão, ao lado do estádio do Bragantino, e em ‘linguiçarias afiliadas´, como o Restaurante Minas Brasil, que fica bem na entrada da cidade.

A famosa linguiça bragantina acebolada e bem-servida

Além da calabresa, de sabor e coloração bem mais suaves do que as que encontramos no mercado, a Rosário produz linguiças com sabores especiais como Alho e Vinho que também são vendidas nos restaurantes (R$ 16,90 o quilo). Encontrei até blogs que oferecem a receita da linguiça bragantina para quem quiser tentar em casa.

No Minas Brasil, a calabresa caseira é grelhada na chapa, com cebola, cortada em pedaços disformes e servida em um porquinho de cerâmica. A porção no ‘maravilhoso animalzinho mágico’, como diria Homer Simpson, não tinha fim. O pedido para duas pessoas (R$ 17,90 com pãozinho francês e vinagrete) serviria até quatro. Saímos pra lá de satisfeitos e ainda levamos uma quentinha que rendeu um belo lanche, no dia seguinte, com o delicioso pão caseiro do Frango Assado.

Rosário: linguiças artesanais em versões como alho e vinho

Para quem não é muito chegado a carne de porco, o Sr. Marcos indica a truta e o salmão do Restaurante Breda, em Piracaia. Para a noite, a dica do Fábio, filho do Marcos e responsável pelas atividades culturais, é sair para beber e comer uma pizza no Galpão Busca Vida, pertinho da fazenda, no bairro da Serrinha.

A viagem a Bragança Paulista valeu a pena ainda reserva outras surpresas, como um bistrô que encontramos no meio da estrada de Piracaia, mas essa aventura eu conto no próximo ‘toast’. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café .

Bar do Rosário – Rua Barão de Juqueri, 6 (ao lado da Igreja do Rosário) – Bragança Paulista (SP). Tel.: (11) 4892-0023*.

Galpão Busca Vida – Estrada da Serrinha, km 3 – Piracaia (SP). Tel.: (11) 9694-9390 / 7340-3016.

Minas Brasil Restaurate – Av. Dom Pedro I, 2.587 – Taboão – Bragança Paulista (SP). Tel.: (11) 4032-2277*.

Pousada Fazenda Serrinha – Estrada da Serrinha (acesso no Km 5 da Estrada para Piracaia) – Bragança Paulista (SP). Tel.: (11) 4892-9683*.

Restaurante Breda – Praça da Matriz, 10 – Centro – Piracaia (SP). Tel.: (11) 4036-4337*.

*Na região de Bragança é necessário digitar o código da operadora antes do código de área 11.

Independente!

abril 17, 2010

Este ‘toast’ não trata de futebol – mesmo porque não sei qual será o destino do São Paulo neste domingo. Prefiro falar aqui sobre outra paixão, que vem tomando muitos brasileiros, especialmente no inverno: o vinho*.

La Cave Jado: vinho francês independente direto do produtor

Conheci recentemente a importadora La Cave Jado, aberta há certa de um ano na Vila Mariana com a proposta de oferecer vinhos franceses autênticos, de produtores independentes e sem intermediários. Lá entendi que ‘independente’ não é sinônimo de vinícola pequena ou ‘mambembe’, mas sim de um produtor que não vai se render para conquistar paladares internacionais… jamé!

Ao iniciar as visitas à sua terra Natal, há três anos, em busca de bons vinhos para trazer ao Brasil, Dorothée, uma das proprietárias da adega, conta que ouviu algumas propostas de criação ou adaptação de vinhos para nós, “como se o brasileiro só gostasse de um tipo de vinho, ou tivesse um único paladar… imagine”.

Degustação de pinot noir (Bourgogne e Sancerre) - outra categoria

O resultado da pequena adega é uma seleção de diversas regiões da França, com alta qualidade e bons preços começando na faixa de R$ 40 a R$ 50. O valor foge do meu orçamento de costume para vinhos, mas me parece um bom investimento para uma ocasião especial, para guardar na adega ou presentear bons amigos. (Renato Machado já elogiou a relação custo-benefício do local).

O espaço bem claro, simples e sem frescuras, apresenta seus vinhos em prateleiras improvisadas com caixas de madeira e vai ao que interessa. Quase todo o sábados, a cave oferece degustações (legal assinar a newsletter no site).

Degustações aos sábados com dicas da simpática Dorothée

Estive por lá para provar dois rótulos da uva pinot noir (Domaine Ninot 2006 de Bourgogne e Domaine Raimbult 2007 Sancerre, do vale do Loire) na faixa de R$ 80 a R$ 90. Estava fora do meu budget, mas tive a oportunidade de sentir outra categoria de pinot noir bem diferente da dos chilenos e argentinos.

Os dois vinhos de coloração mais suave eram extremamente leves e elegantes. O aroma era tão gostoso que o Dexter não queria mais largar a taça do Ninot. E a experiência ainda foi acompanhada de uma aula de vinhos franceses com a simpática Dorothée, que nos explicou sobre o método de produção ‘Sur lie‘ (sobre as borras), o segredo de um branco Muscadet que levei para casa (R$ 48).

Projeto iniciado há três anos e visitas frequentes à França atrás de produtores

Comprei também um Gamay (R$ 41) Domaine Rin Du Bois 2008 para experimentar e por enquanto é só. Os dois estão bem guardados aqui em casa, mas em breve quero fazer um brinde aos franceses independentes. Vive la révolution!

*O pouco que sei sobre vinhos me ajuda em alguns ‘chutes’ nas compras, mas as melhores dicas são de amigos como  o Fogaça, o Scaglia e o Ricardoc, além de um curso básico da Associação Brasileira de Sommeliers, que fiz em 2006 e recomendo – só preciso reler a apostila porque já esqueci 80% do conteúdo. Sobre futebol, tudo o que sei é torcer.