O sushiman de ouro
outubro 14, 2010
Salmão cru bem picadinho com pedaços de água-viva, temperado com azeite, limão e sal, decorado com filetes transparentes de alga (imitando barbatana de tubarão), ovas de peixe voador e folhas de ouro. A deliciosa arte retratada acima foi um presente de Shundi Kobayashi, um dos sushimen mais experientes e respeitados do mercado, que atua no tradicional Miyabi há pouco mais de um mês.
Estive por lá há algumas semanas para almoçar e tive as primeiras lições sobre como apreciar as iguarias preparadas por um itamae-san, ou como se deve chamar um sushiman. Meu professor, o querido Edgar, é um verdadeiro gourmet e manja tudo do assunto.

Reaberto em abril, no primeiro andar do Top Center, novo salão do Miyabi tem assinatura de Ruy Ohtake
O Miyabi foi reaberto em abril deste ano e saiu do subsolo para o primeiro andar do Top Center, na Avenida Paulista, com projeto moderno assinado por Ruy Ohtake. No almoço, o restaurante oferece um cardápio executivo de combinados (quentes e frios) com preços a partir de R$ 35. O valor é bem razoável para o nível do lugar, comandando pelo chef Massanobu Haraguchi, conhecido como mestre dos ‘quentes’. Sua esposa, aliás, é Margarida Haraguchi, que segue a especialidade do casal no Izakaya Issa, do qual já falamos por aqui.
Desta vez ficamos nos frios, bem posicionados à frente do senhor Shundi. Pedimos o combinado de sushis e sashimis variados, que vem acompanhado de missoshiro e fruta da estação (R$ 45). Para beber, o recomendável é o chá verde. Isso se você não estiver no pique do saquê ou de um shochu. Depois de matar a vontade (e quebrar a regra) tomando uma Coca-Cola fiquei só no chá da casa.
A primeira dica é saber se posicionar no balcão. O sushiman mais experiente sempre estará à sua esquerda. E assim Edgar foi me guiando pelo almoço e trocando idéias com o senhor Shundi sobre as variedades de peixes disponíveis, os tipos diferentes de atum gordo, ou torô, onde pescar etc.
Descobrimos que Shundi vai ao pesqueiro Maeda de madrugada, porque é mais tranqüilo e consegue bons peixes. Ele também nos apresentou o Yellow Tail, um peixe muito especial, importado e congelado, que ele serve no Miyabi, mas deve ser reservado com um dia de antecedência. Segundo Shundi, é melhor do que atum gordo. Hummm…
Sábios ensinamentos sobre comida japonesa:
– Sirva-se de sushis e suas variações com a mão. Sim, você pode. Basta higienizar bem as mãos coma toalhinha quente a cada porção e você será muito mais feliz sem medo de derrubar o sushi no shoyu e fazer aquele estrago.
– Use o hashi para comer sashimi (aliás, o de atum gordo do Miyabi é sensacional).
– Use o shoyu com parcimônia para não estragar o sabor da comida. Nada de afogar o sushi no molho de soja.
– Sempre posicione o hashi paralelamente ao balcão. Apontá-lo ao itamae-san é sinal de desrespeito.
Terminamos a deliciosa refeição saboreando pedaços de abacaxi no ponto certo com palitinhos de petisco japoneses. Segundo o tio do Edgar, o palitinho tem um entalhe na ponta que pode ser quebrado para apoiá-lo na mesa. É… os japoneses são muito criativos.
Exceto pela Coca-Cola, acho que passei na primeira aula. Vendo tanta empolgação, anotações e fotos durante o almoço, Shundi nos presenteou com a obra de arte descrita no início do post. “Já que você está tirando fotos, essa é uma cortesia”, disse ele. “Pode misturar tudo mesmo”, explicou.
Pena ter que desmontar aquela preciosidade, que estava tão deliciosa quanto bela. Saí do Miyabi lá com vontade de voltar (para provar o famoso nabeyaki udon) e extremamente grata ao Edgar Kanamaru. O melhor é que essa foi só a primeira aula de uma lista de favoritos japoneses na cidade. Aguarde os próximos capítulos no Braun Café.
Miyabi – Av. Paulista, 854, lojas 79/80 – São Paulo – SP. Tel.: 3289-4708. Horários: das 11h30 às 14h30 e das 18h às 22h30. Fecha aos domingos e feriados.
Saideira da Restaurant Week no Lola Bistrot
setembro 16, 2010
A Restaurant Week 2010 já acabou em São Paulo, mas preciso registrar aqui minhas impressões sobre o almoço promocional no Lola Bistrot, que foi bastante agradável. Vale como dica de bons restaurantes para a próxima temporada paulistana do evento, que deve ocorrer em março de 2011.
O Lola é um bistrô com preços mais elevados e um bar de vinhos bem bacana, na Vila Madalena. Já estava de olho nele há um tempo, chequei o cardápio promocional do almoço e consegui garantir minha reserva no último sábado. O garçom não fez cerimônia e já ofereceu, de cara, o menu da Restaurant Week, mas pedi para dar uma olhada da carta de vinhos.
Quem me acompanhou foi a amiga Ciça, que também é parceira de Restaurant Week, e escolheu um ótimo vinho para celebrar: o rosé chileno “Carpe Diem”. A bebida de sabor alegre e refrescante fez jus ao nome e ao momento. A carta também oferece o vinho em taça (R$ 16), mas a garrafa (R$56) compensava mais.
Na entrada, Ciça pediu o Mini croque monsieur com saladinha verde e eu fui de Musseline de mandioquinha ao funghi e azeite de ervas. Ambos estavam ótimos e muito bem apresentados. Gostamos muito do delicado creme de mandioquinha servido em um copo de vidro. Uma entrada simples e saborosa para fazer um charme em casa.

Destaque do almoço: Brandade de bacalhau com purê de salsa francesa, castanha e tapenade, servido com folhas de couve refogadas e um toque de pimenta biquinho
Entre duas opções de pratos principais, o destaque ficou com a Brandade de bacalhau com purê de salsa francesa, castanha e tapenade, servida com folhas de couve levemente refogadas e pimenta biquinho para dar o toque final. Um prato delicioso, leve e diferenciado com as castanhas. A escolha da Ciça agradou tanto que já demos a dica à querida Iara, que encontrei por lá. Ela e a amiga aprovaram.
Minha opção foi o Cordeiro braseado com polenta mole, cogumelo crocante e funghi. Estava ótimo, mas achei a brandade mais interessante.
Na hora sobremesa, a escolha não foi difícil já que a outra opção era ‘fruta da estação’. Neste ponto achei pouco criativo oferecer fatias de abacaxi. Escolhemos a Maçã crocante, uma espécie de compota de maçã com canela, servida em uma finíssima massa crocante, com um toque de chantily e uma folhinha de hortelã. Doce na medida certa e muito bem montada.

Compota de maçã com canela, servida em uma fina massa crocante, com toque de chantily e folha de hortelã
Após um expresso com pedido de ‘bolachinhas extra’ (tática que Ciça emprega sem medo quando gosta da bolachinha servida junto ao café) saímos satisfeitas e felizes em um sábado de ‘carpe diem’.
Lola Bistrot: Rua Purpurina, 38 – Vila Madalena – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3812-3009 (Segunda a sexta das 12h às 15h. Sábado e Domingo das 13h às 16h).
Dicas dos leitores
Aproveito o ‘toast’ para agradecer comentários publicados pelos leitores do Braun Café que fizeram suas maratonas gastronômicas e deixaram impressões por aqui. Agradeço especialmente Cris Sato, Thais e Mirela pelas dicas preciosas e pelos alertas como o da Michelle que ajudarão a orientar nossas escolhas na próxima Restaurant Week. Obrigada e voltem sempre!
Update – O Maria Lima Bistrô apresentou um cardápio interessante e sofisticado na Restaurant Week. A amiga Flávia adorou e fez fotos do almoço para o Braun Café.
A Restaurant Week 2010 continua em outras capitais: Belo Horizonte (13 a 26 de setembro), Curitiba (27 de setembro a 10 de outubro), Rio de Janeiro (18 a 31 de outubro) e Recife (15 a 28 de novembro), Porto Alegre (15 a 28 de novembro) e Salvador (22 de novembro a 5 de dezembro).
Sweet Restaurant Week: Don Carlini e Osteria
setembro 5, 2010

Osteria: semifredo ao capuccino com 'ragú de frutas vermelhas'. Se criassem uma 'Dessert Week' seria uma sucesso
Sexta e sábado experimentei os cardápios promocionais de dois italianos participantes da 7ª São Paulo Restaurant Week, que acontece até 12 de setembro na cidade. O jantar do tradicional Don Carlini, na Mooca, estava excelente e o menu do Osteria foi bem executado, mas o que me chamou mais a atenção foram as sobremesas.
Entre as opções oferecidas pelo Don Carlini estava um maravilhoso pudim de pão, acompanhado de sorvete de creme e de uma calda de laranja que fez toda a diferença. Vou dar a dica para minha Tia Loque, que me apresentou seu delicioso pudim de pão com cravo e passas, na infância. Nem preciso dizer que saí do restaurante feliz como uma criança.
No Osteria, o ponto alto do almoço, fora das cervejas importadas, foi o semifredo ao cappuccino extremamente cremoso e perfeito com a calda de frutas vermelhas. Pena que o doce tinha quase um ‘tamanho degustação’.
Bem que a organização do evento podia criar uma ’Dessert Week’. No fim das contas, ou melhor, antes delas, não costumo pedir sobremesas toda vez que vou comer fora. Acho que o cardápio completo acaba trazendo deliciosas surpresas no final, honrando patissiers e profissionais destas praças.

Carpaccio milimetricamente fatiado, com rúcula, molho de alcaparras, pedacinhos de alcachofra e parmesão
Voltando às entradas, fui ao Don Carlini da Mooca por ser o mais tradicional, mas há duas casas na Zona Oeste (Vila Madalena e Perdizes). Fiz minha reserva para jantar em uma sexta-feira, na véspera de um feriado prolongado, então peguei o maior trânsito da história até o começo da Radial Leste.
Embora a região da Rua Dona Ana Neri não seja lá muito amigável, o clima da ‘famiglia italiana’ do local aberto há 25 anos fez tudo valer a pena. Na entrada, havia uma festa [de casamento, creio eu] com banda ao vivo tocando somente clássicos italianos. É praticamente impossível não recordar de ‘Don Corleone’ diante daquele cenário decorado com painéis de tecido imitando ruas da Itália, das crianças brincando do lado de fora, das bandeiras de províncias italianas e de tudo mais “Michael…”.

Paleta de leitão assada com batata doce, alho assado e legumes em cartoccio. (Sorry pelo flash, mas é duro fotografar à luz de velas)
Fui conduzida ao salão principal do restaurante, iluminado à luz de velas – uma pena para a iluminação das fotos, mas muito romântico – e onde o som do ‘Arrivederci Roma’ não chega. Para embalar o momento, em uma noite quente e seca, optei por um refrescante Lambrusco (R$ 41), com baixo teor alcoólico (8%), que acompanhou bem o jantar.
Entre as opções do menu promocional, escolhi um gostoso carpaccio fatiado milimetricamente com molho de alcaparras, pedaços de parmesão e algumas alcachofras.
Depois de provar o levíssimo fetuccini na manteiga que acompanhava o macio cabrito escolhido pelo Fábio (R$ 49) suspeitamos que o pessoal da cozinha adote o método ‘Bons Companheiros’ de corte (cena em que um dos mafiosos, na prisão, corta o alho com uma lâmina para preparar o jantar). A massa fez tanto sucesso que comprei um pacote (R$ 9) na lojinha do Carlini, que vende massas frescas, secas, molhos e polpettines.

Opção do Don Carlini na Restaurant Week - Fettuccine com presunto cru, grana padano, salvia, radicchio e pinoli
Meu prato principal foi a Paleta de leitão assada e desossada servida com batata doce e legumes em cartoccio temperados com alho, tomilho e azeite. A carne envolva em uma crosta ‘tipo pururuca’ estava bem macia e suave. Os legumes não tinham tempero, mas minha amada abobrinha estava lá e uma cabeça de alho assado doce e cremoso deu um sabor especial ao prato.
Depois do pudim de pão sensacional e de um bom café fomos para casa contentes. O serviço foi atencioso e o poderoso chef do Don Carlini ainda ganhou pontos com o Fábio, ‘Don Bolsarini’. Para minha alegria, ainda ganhei um vale-sobremesa grátis no próximo jantar. Oba!

Salada Osteria (rúcula, radicchio, tomate rústico, mussarela de búfala, aliche e tapenagem de azeitonas pretas)
No Osteria, eu e Cecília tivemos o dia do ‘almoço grátis’ já que ela ganhou um ‘Vale-Restaurant Week’ para o local. Demorou um pouco para termos um garçom ligado em nossa mesa, mas depois acertaram no atendimento e pedimos a carta de cervejas. Sim, cervejas harmonizam com tudo, especialmente com um sábado de muito sol. A carta tem opções interessantes. Provamos a ótima tcheca 1765 (R$ 14 – 500 ml) e a saborosa e levemente frutada 8.6, da Holanda (R$ 12,90 a lata de 500 ml).
Como o almoço era ‘free’ aceitamos o couvert (R$ 10) com pães variados (alecrim e pão de lingüiça) gostosa tapenade de azeitonas pretas e patê de ricota com manjericão. Optamos pela Salada Osteria (rúcula, radicchio, tomate rústico, mussarela de búfala, aliche, tapenagem de azeitonas pretas). Tempero com azeite de pimenta e azeite de manjericão. A outra opção seria polenta com molho à bolonhesa gratinada, mas nossa escolha principal já tinha polenta.
O galeto com molho de tomates e cogumelos, polenta mole e agriãozinho estava bem saboroso. Eu até podia dizer que comi frango com polenta e que assim é fácil entrar na Restaurant Week, mas a comida estava bem preparada. Especial mesmo foi o bate-papo com Cecília, além das cervejas e do semifredo. Talvez um dia a gente volte para repetir o doce.
Don Carlini – Rua Dona Ana Neri, 265 – Mooca – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3208-2024. Estacionamento com manobrista (R$ 10). Também conta com unidades em Perdizes (Rua Monte Alegre, 835. Tel.: (11) 3801-3750) e na Vila Madalena (Rua Mourato Coelho, 1325. Tel.: (11) 3032-6881).
Osteria – Rua Manuel Guedes, 243 – Itaim – São Paulo (SP). Tel.: (11) 3073-1287. Estacionamento (R$ 12).
Almoço fica mais caro na 7ª Restaurant Week 2010 em São Paulo
agosto 28, 2010

AK: Frango Confit com repolho roxo agridoce e batata bolinha. Foto: Arquivo São Paulo Restaurant Week (SPRW)/Agosto 2010
Na segunda temporada de 2010 da São Paulo Restaurant Week, que começa nesta segunda-feira (30/8) e vai até 12 de setembro, o preço do almoço promocional (entrada + prato principal + sobremesa) aumentou de R$ 27,50 para R$ 29, além da doação de R$ 1 opcional à Ação Criança. Já o jantar teve seu valor mantido em R$ 39 + R$ 1 de doação.

Limonn: Saint Pierre com pomodorine, alcachofra e arroz negro. Opções: Fraldinha flambada na cachaça com batatas à provençal ou Risotto de quatro cogumelos com queijo ementhal Foto: Arquivo SPRW
Como dizem os economistas “não existe almoço grátis”. A @RestaurantWeek_ já vinha mantendo os R$ 27,50 há algumas temporadas e resolveu reajustar. O negócio é aplicar seus preciosos R$ 30 em um lugar com cardápio interessante. Afinal, como já comentei antes, penne à bolonhesa e hambúrguer a gente pode comer em casa ou gastando bem menos.

Seraphini (só jantar): Pescado ao molho de frutos do mar guarnecido por couscous italiano amanteigado com vegetais. Foto: Arquivo SPRW
Nesta segunda temporada da iniciativa a lista de restaurantes aumentou de 200 para 210, mas senti falta de alguns lugares bacanas como Brasil a gosto e Cordel da Vila, que foram muito elogiados em outras edições e não tive a oportunidade de conhecer ainda. O Cordel, segundo minha amiga Cecília, companheira de Restaurant Week, dá para encarar fora da promoção.
Este ano, inclusive, Cecília ganhou um voucher da organização do evento e vamos ao Osteria sem pagar o almoço. Neste caso, abriremos uma exceção à teoria do almoço grátis, mas teremos de pagar os 10% pela bebida, que pode até ser um vinho mais bacana para compensar. Aliás, sempre inclua os 10% na sua contabilidade durante o evento.
Aos vegetarianos, a boa notícia é que muitos restaurantes se preocuparam em oferecem opções em carne e há também o Apfel, um bom representante do ramo, que volta nesta temporada com um menu apetitoso até aos que não têm restrições alimentares.

Obá: Burrito de frijoles ao estilo do norte do méxico. Opção: Enroladinho mar e terra da jôse de boipeba. Foto: Arquivo SPRW
Entre os integrantes da Restaurant Week, que você pode experimentar sem erro, recomendo o AK Delicatessen, que sempre traz um menu criativo e delicioso na linha judaica contemporânea, e o Obá, que faz uma fusão entre culinária asiática, brasileira e mexicana, e cujos donos fazem parte da organização do evento. Tive uma ótima experiência também com os sabores tailandeses do Marakuthai. Agora estou de olho no Lola Bistrô no Don Carlini.
As dicas quentes de leitores e amigos, que continuam nesta sétima temporada, incluem Caroline, Emprestado, Limonn, Seraphini e Vinheria Percussi. Já o Roux Bistrô deixou a desejar, no começo do ano.

Lola Bistrô: Brandade de bacalhau com purê de salsa francesa, castanha e tapenade. Opção: Cordeiro braseado com polenta mole, cogumelo crocante e pimenta biquinho. Foto: Rafael Wainberg/Arquivo SPRW
Na sexta temporada também estive no Ají com a Ciça, querida ‘restaurant friend’, e no Le French Bazar (saiba mais sobre eles no toast ‘O Bazar do Francês‘). O primeiro mandou muito bem na entrada com um ótimo escondidinho de tilápia, mas as opções de prato principal não eram tão incríveis e o creme brulèe de maracujá com gosto de ovos decepcionou. Já o simpático bistrô, cuja reserva me foi ‘emprestada’ pela Cris Sato, serviu um excelente ragú de costela com polenta. Só não gostei da relação custo x benefício do couvert (R$ 7 por pessoa por uma cesta de pães simples, patê de fois e manteiga).

Opção de entrada do Marakuthai - Salada de cuscus marroquino com hortalicas e castanhas. Foto: Arquivo SPRW
Recomendações
No toast da primeira temporada da Restaurant Week 2010, você também encontra comentários sobre restaurantes visitados, mas volto a repetir algumas dicas que considero importantes para sua felicidade gastronômica.
– Reserve e seja pontual
São Paulo é a capital mundial da gastronomia e há muitas pessoas como nós que também querem aproveitar uma semana promocional para experimentar restaurantes caros e concorridos. Telefone com antecedência, faça sua reserva, confirme no dia e chegue pontualmente. Caso contrário, prepare-se para enfrentar horas de espera.
– Os 10%
O menu é promocional, mas a taxa de serviço não. É importante considerar os 10% sobre os R$ 30 do almoço ou os R$ 40 do jantar e as bebidas. Se for compensar com um vinho mais caro, lembre-se da taxa.
– A pegadinha do couvert
No caso do couvert, que geralmente é servido sem que o cliente peça, uma dica é perguntar se é cortesia da casa, já que estão lhe ‘oferecendo’. Outra recomendação é checar se a oferta vai valer a pena. No caso do French Bazar achei que não valia R$ 7 por pessoa. Já no AK (veja as fotos do couvert), você pode se deliciar com pães caseiros macios e três patês (saladinha de ovos, pepino no iogurte com dill e patê de fígado de galinha) por R$ 12 (pode pedir para uma pessoa e dividir que é bem servido).
– Restaurant executivo
Muitos participantes da Restaurant Week oferecem ótimas opções de almoço executivo com preços acessíveis e até inferiores aos da quinzena promocional. No caso do Oggi, por exemplo, pode ser mais jogo almoçar por R$ 31 no Buffet completo do que entrar na promoção. Se você tem horário flexível ou trabalha perto de lugares como o Seraphini, nos Jardins, ou o AK, na Consolação, vai se surpreender com as opções acessíveis e incrementadas do almoço executivo, sem data para acabar.
– Deguste comentários antes e opine depois
Minha recomendação final é que você procure ler comentários dos restaurantes que deseja experimentar. Aqui no Braun Café muita gente já mudou minha rota na Restaurant Week e deixei de pagar micos. E depois de ter uma ótima ou terrível experiência em um dos participantes, sua boa ação será compartilhar as dicas com outras pessoas na rede. Espero seu comentário!
Próximos destinos
Depois de São Paulo, a Restaurant Week passa por Belo Horizonte (20 de setembro a 3 de outubro), Curitiba (27 de setembro a 10 de outubro), Rio de Janeiro (18 a 31 de outubro) e Recife (15 a 28 de novembro). Há previsão, ainda não confirmada, para Porto Alegre (de 4 a 17 de outubro) e Salvador (22 de novembro a 5 de dezembro).
Izakaya Issa: o ‘quente’ da Liberdade
agosto 22, 2010
Junte a curiosidade com a vontade de comer e você vai descobrir o maravilhoso mundo da culinária japonesa, que não está nos rodízios. O bairro da Liberdade é o cenário perfeito para isso, mas é necessário ter as fontes certas. Recentemente, o amigo e gourmet Alê Daloia me apresentou o Izakaya Issa, um pequeno restaurante na Rua Barão de Iguape, comandado pelas simpáticas senhoras Margarida e Takai, que reserva grandes descobertas entre as iguarias do Japão.
Para garantir seu agradável jantar sem esperar muito é recomendável fazer reserva alguns dias antes. Estive por lá em uma sexta-feira às 20h30 (em ponto) e às 9h30 as poucas mesas e o balcão já estavam lotados de locais ou pessoas que, como nós, adoram descobrir lugares especiais em São Paulo.
O modesto e aconchegante Izakaya Issa é, na verdade, um bar de saquês ou shochus (aguardente de batata, arroz e cevada leve e tão perigoso como o saquê) cujo cardápio oferece uma variedade de iguarias para acompanhar as bebidas de seus frequentadores – muitos deles com seus nomes escritos nas garrafas atrás do balcão.
Na prática e diante do valor da dose de saquê (R$ 20 o importado e R$ 15 o nacional), nos concentramos nos quitutes com cervejinha gelada de garrafa. Começamos com uma entrada de quatro sabores (R$ 20): nabo deliciosamente temperado com um leve toque de pimenta, acelga curtida, berinjela refogada e peixe frito escabeche.
Vale aqui fazer uma pausa para as louças. Do apoio de hashi, ao copinho de sushi em porta-copo de crochê, tudo é servido em alguma peça que parece ter sido guardada cuidadosamente pela família, há anos, o que dá um ar ainda mais especial ao restaurante.
Começamos a degustação dos petiscos pelo tempurá de lulas muito macias, que merece o trocadilho de ‘lulas adorei’. A porção acompanha o molho de tempurá, mas a dona Margarida recomenda provar somente com sal. Aliás, siga as recomendações destas atenciosas senhoras e você vai se dar bem. O peixe meca grelhado que pedimos na sequência, por exemplo, não está no cardápio e é uma deliciosa recomendação.
Antes do ‘prato principal’ também pedi um Chawan Mushi, que vi entre as dicas do frequentador Marcelo Katsuki. Ao destampar a linda cumbuquinha de louça você encontra um creme de ovos cozidos no vapor, com cogumelos shitake e shimeji, bem leve de tempero e quentinho para confortar o estômago.
E chegou a hora do esperado e tão falado Okonomyiake, a ‘pizza japonesa’, como apelidou Daloia. A massa da ‘redonda’ leva repolho picado, pedacinhos de frutos do mar, maionese e molho tarê, salpicada com raspas finíssimas de peixe, que ficam ‘dançando’ com o calor do prato. Essa, de fato, é uma iguaria deliciosa e diferente de tudo que já provei na culinária japonesa. Só de espiar nas mesas ao lado dá pra sacar que é um dos carros-chefe da casa.
Para fechar a primeira noite da confraria de curiosos e gulosos pedimos os bolinhos de polvo. A princípio pedimos meia porção, o que só é possível se outra mesa também pedir os bolinhos já que são preparados em uma grelha especial com forminhas redondas (já tinha visto em um episódio de ‘No Reservations’ em Osaka). No fim das contas devoramos uma porção de saborosos bolinhos e fomos felizes para casa após um banquete de novos sabores do Japão. É Issa aí!
Izakaya Issa – Rua Barão de Iguape, 89 – Liberdade. São Paulo – SP. Tels.: (11) 3208-8819 / 7677-4910. O estacionamento ao lado que sai por menos de R$ 10. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café.
































