Uma tarde em Montalcino

julho 2, 2011

Sonho realizado: degustação em Montacino, na Tenuta Vitanza e meio Brunello de lembrança

Fazer um tour em uma vinícola da Toscana era uma das minhas metas na viagem à Itália, mas o tempo era curto e alugar um carro estava fora de questão.

Veja mais fotos de Montalcino no Flickr do Braun Café.

Felizmente, em Siena, encontrei uma portinha simpática com a placa da Wine and Tours. A agência oferece pacotes de meia tarde, um dia ou até dois para as regiões de Chianti – incluindo uma passagem por San Gimignano e suas torres medievais -, Montepulciano e Montalcino. Os preços variam de 38 euros (de micro-ônibus) a 80 euros (de Land Rover). Fomos de micro-ônibus, tranquilamente, e saiu mais barato do que alugar um carro. Além disso, não precisamos agendar visitas antecipadamente ou correr com reservas.

Regra clara: Brunello di Montalcino deve ser 100% Sangiovese, da região, envelhecer por 3 anos em carvalho e mais 6 na garrafa

Para quem tem tempo e alguns ‘dinheuros’ a mais, recomendo uma olhadinha no site da vinícola Villa Dievole, que tem um resort de vinhos! Provei um delicioso rosé Dievole 2010 em Siena me surpreendi ao visitar o site. O pacote Tuscan Flavors, por exemplo, inclui três dias (duas noites) no resort, incluindo café da manhã, tour com degustação e jantar com degustação,  por 480 euros para duas pessoas. Me parece um bom investimento.

Voltando à agência, próxima à Piazza del Campo, consegui reservar exatamente o dia da visita a Montalcino, em uma quinta-feira (alegria total).

Degustação da casa: Chianti Colli Senesi, Brunello di Montalcino 'Tradizione' e Supertoscano 'Quandrimendo' Vitanza

No tour Gran Brunello, o visitante passa uma tarde na comuna de Montalcino, conhecida mundialmente pela produção do premiado Brunello di Montalcino. O vinho, elaborado exclusivamente com uvas Sangiovese da região, foi batizado de ‘Brunello’ pela família Biondi Santi, no século 19, devido à cor escura da variedade ‘grosso’, além de ter sido o primeiro a receber a Denominação de origem controlada e garantida (DOCG).

No caminho, de uma hora e meia, fomos degustando a paisagem da região, com seus lindos campos verdes recheados de vinhedos. Interessante notar que cada fileira de videiras era finalizada com belíssimas roseiras. Mas por trás do detalhe charmoso, está uma ferramenta para proteger o cultivo das uvas, já que as pragas se manifestam primeiro nas rosas.

Pecorino da região (suave e macio) e azeite produzido só para consumo da família acompanham a degustação

A primeira parada, e mais deliciosa, foi a visita às instalações da jovem vinícola Tenuta Vitanza, que iniciou sua produção em 1994 e oferece diferentes blends de Brunello di Montalcino. O Brunello de 1995 já recebeu altos pontos da Wine Spectator (93) e colocou a Vitanza em evidência no mercado.

O Brunello tem regras claras. Deve ser armazenado por três anos em barricas de carvalho francês e por mais seis anos em garrafa. E nada de plantar outro tipo de uva, que não seja Sangiovese no terreno. “Os inspetores aparecem às vezes, de surpresa”, contou Lilian, sobrinha dos donos da vinícola e responsável pelos tours. “Se encontrarem uma vinha sequer de outra casta, você está desclassificado”.

Lilian, a sobrinha dos donos da Tenuta Vitanza, conduz o tour e a degustação pelo mundo dos vinhos toscanos

Na sequência são degustados três vinhos da casa: Chianti Colli Senesi (‘Colinas de Siena’), Brunello di Montalcino ‘Tradizione’Super Toscano ‘Quandrimendo’ Vitanza. Este último é elaborado com 50% Sangiovese e 50% Merlot, uva preferida de Rosalba Vitanza, segundo sua sobrinha Lilian, que está entre os seleto grupo de dez funcionários da vinícola.

Os três vinhos eram muito bons, mas em primeiro lugar ficou o Brunello, redondo, encorpado, perfeito e tudo mais. O Chianti também era ótimo, mas não chegava ao nível da atração da casa. O Super Toscano da tia Rosalba era interessante, mas o que vale nesta categoria é a criação do produtor. Segundo Lilian, há supertoscanos com sete uvas diferentes. Nem sempre o resultado é ‘super’.

Café dos Biondi Santi, os criadores do 'Brunello', no centro de Montalcino

Após a degustação, acompanhada de suave queijo pecorino da região, que eu queria muito levar pra casa, e azeite produzido para consumo da família, é possível adquirir os vinhos provados a preços extremamente animadores. O Brunello di Montalcino Vitanza 2005 custa 22 euros. Meia garrafa da safra 2003 sai por 10 euros.

No Brasil, os vinhos da Tenuta Vitanza são comercializados pela importadora Magnum e os preços começam em R$ 200. É de chorar, mas o fato é que eu estava de mochila e tinha uma longa viagem pela frente. Pelo menos trouxe meia garrafa do Brunello 2003, que veio bem agasalhada nas milhas blusas e chegou intacta.

Depois da degustação, um café e um docinho na cidade dos vinhos encantados

O passeio inclui uma parada pela histórica Abadia de Sant´Antimo, construída no século 10, onde monges entoam cantos gregorianos todas as manhãs.  O interior extremamente simples e medieval, destoava dos duomos grandiosos das capitais italianas, mas ao contrário destas, me pareceu um lugar realmente sagrado. O jardim ao redor era tão agradável que ficamos fazendo fotos e atrasamos a excursão.

A última parada, ao cair da tarde, foi a cidade de Montalcino, repleta de lojas com ofertas tentadoras de rótulos locais. Reserve um tempo para um café ou uma taça de vinho no Caffé Fiaschetteria Italiana 1888, fundado pelo próprio Ferruccio Biondi Santi, inventor do Brunello. A enoteca, nos fundos, oferece o Brunello da família por 85 euros a garrafa.

Brunello da família Biondi Santi (85 euros). Lojas oferecem embalagens reforçadas para quem se empolgar nos vinhos para viagem

Para quem não resistir à tentação de embrulhar alguns Brunellos para viagem, as lojas oferecem embalagens reforçadas com isopor. A Enoteca La Fortezza Di Montalcino, localizada no interior da fortaleza da cidade, é uma delas. O lugar é lindo e merece uma visita.

A dica do tour em Montalcino também está na coluna Blue Chip, do Valor Econômico, de 28 de junho.

Caffé Fiaschetteria Italiana 1888
Piazza del Popolo, 6 – Montalcino, Siena, Itália 

Tel.: +39 0577 849043

Enoteca La Fortezza Di Montalcino
Piazzale Fortezza – Montalcino, Siena, Itália
Tel.: +39 0577 849211

Wine and Tours
Via Casato di Sotto, 12 – Siena, Itália
Tel.: +39 0577 46091

Os encantos de Siena

junho 19, 2011

Siena é um convite à 'dolce vita'. Entardecer na Piazza Del Campo, uma taça de Brunello di Montalcino e outra de pinot grigio

Siena é uma encantadora cidade medieval na Toscana. Depois do agito de Roma, pegamos o trem para lá e a ideia inicial era ficar um dia, seguindo viagem por outras cidadezinhas da região. Na primeira vista do alto da cidade, largamos as mochilas e nos apaixonamos. Encontramos o Bed & Breakfast Le Camerini Di Silvia, em uma residência típica toscana, e namoramos Siena por quatro dias.

Veja mais fotos das delícias de Siena no Flickr do Braun Café.

Dentro dos muros da cidade antiga, em cada cantinho há um lugar especial. Pelas ruas de pedra (sem calçada), você encontra o quitandeiro, o sapateiro, o artista em seu atelier, o confeiteiro e por aí vai. E entre uma viela e outra, de vez em quando, há uma surpreendente vista dos verdes campos toscanos. Inacreditável.

Prosciutto e pecorino no Trattoria Fonte Giusta, com uma garrafa de Chianti, ao fundo.

A culinária local é vasta e deliciosa. Começamos por um jantar na Trattoria Fonte Giusta, localizada na rua Camollia, onde estão as principais lojas da cidade. Entre elas, tentadoras vitrines de massas, vinhos  e doces como a torta de frutas e castanhas Panforte, uma especialidade local (as docerias vendem embalagens pequenas de diferentes sabores para presente. Não deixe de trazer).

A porção de presunto cru, macio e saboroso, e pecorino da região estava divina. O pão italiano muito macio também nos surpreendeu (bem melhor do que o pão duro de Roma). Já o Chianti que pedimos (10 euros a garrafa) podia ser mais fresco. Estava calor e serviram o vinho na temperatura ambiente. Tristeza.

Panforte, a torta medieval de Siena. Vontade de ter uma mala só de doces, malas e vinhos para trazer de Siena

Experimentamos boas massas na trattoria: o pici (um spaghetti mais grosso, tradicional de Siena) com ragu de javali e fetuccine com ragu de pato.

O agito da cidade, que tem duas universidades, está na Piazza del Campo, com seu belo Palazzo Comunale, rodeado de pássaros ao entardecer. É um convite irrecusável a uma taça de vinho (7 euros, em média).

Pizza com presunto speck e mascarpone na Piazza del Campo

Os restaurantes e bares ao redor são bem turísticos e caros, mas não resisti a uma pausa para relaxar e apreciar a vista. Por lá dividimos uma saborosa pizza com presunto speck e mascarpone (10 euros) e duas taças de vinho (Brunello di Montalcino e um refrescante pinot grigio). Valeu a pena.

Vinhos da região são muitos e estão por toda parte. Entre uma esquina em outra encontramos o Le Bonfà di Giangio, uma salumeria e enoteca muito agradável, onde provei um excelente rosé Dievole Rosato 2010 (100% sangiovese)  na temperatura certa. A vinícola Dievole conta com um ‘hotel e wine resort‘, que deve ser sensacional. Fica para a próxima…

Delicioso rosé de sangiovese da toscana Dievole, que tem um resort de vinhos...

Os sandubas de frango empanado e hambúrguer do bar mataram a fome, mas não empolgaram. O negócio é ficar nas taças de vinho com uma porção de frios e queijos locais, deixando o tempo passar.

Entre um passeio e outro, um gelatto sempre vai bem. A vitrine da gelateria Brivido é uma tentação. Desta vez, o sorvete de chocolate foi acompanhado do sabor creme inglês. Muito bom.

Um sorvete 'piccolo' de chocolate e creme inglês da Brivido.

Wi-Fi grátis é raridade nos estabelecimentos de Siena. Felizmente conhecemos o Zest Cafe Winebar, ao lado do santuário de Santa Catarina (di Siena). O café oferece internet grátis aos clientes, comidinhas e massas rápidas e carta de vinhos interessante. Provei uma deliciosa tortilla espanhola de salmão com aspargos e salada. O Dexter ‘mangiou’ um penne ao sugo com manjericão e ficamos felizes da vida navegando na internet.

Tortilla espanhola de salmão e aspargos do Zest. Wi-Fi grátis, ótimo atendimento e carta de vinhos convidativa

O simpático Giacomo abriu o Zest há dez meses e apostou em um ambiente mais moderno, que contrasta com os estabelecimentos da cidade. Vale fazer uma pausa para um lanche, café ou uma tacinha de vinho com mix de presuntos e salame. O atendimento é nota dez.

A festa do caracol
Siena é famosa pelo Palio, uma corrida de cavalos disputada entre as 17 ‘contrade’ (comunidades ou bairros) da cidade. Cada contrada possui uma bandeira e um animal como referência. Por conta disso, a cada esquina, o viajante encontra uma estátua,  fonte ou azulejo simbolizando uma pantera, águia, tartaruga, caracol etc., que marca os limites da comunidade.

Festa da contrata do caracol. Momento veramente italiano

Nossa hospedagem ficava na contrada do caracol (Chiocciola), que estava promovendo uma ‘quermesse’ praticamente no quintal do B&B. A dona ficou preocupada e nos alertou sobre o barulho, mas queríamos mesmo era entrar na festa.

Nos acomodamos em uma das longas mesas de madeira ao ar livre, bem no estilo ‘Poderoso Chefão’, e provamos o cardápio fixo servido em pratinhos de plástico. Dividimos o prato de churrasco (bisteca, costelinha e uma linguiça ‘toscana’ sensacional), penne ao ragu de carne de boi com cogumelos e um acompanhamento simples e divino: grão de bico cozido, refogado com azeite e alecrim. Esse eu vou fazer em casa.

Grão de bico refogado no azeite com alecrim. Simples e delicioso

Depois do jantar ‘veramente italiano’, acompanhado do vinho tinto da quermesse, o aroma de Nutella me conduziu à barraquinha de crepes para finalizar a celebração. Depois me arrastei feito um caracol para o B&B.

Em Siena há agências especializadas em tours pelas vinícolas de Chianti, Montalcino e Montepulciano.  No próximo post, conto tudo sobre a visita à terra do Brunello.

Gelateria Brivido
Via Pellegrini 1 – Siena, Itália
Tel.: 0577 280058

Le Bonfà di Giangio
Via Casato di Sopra, 10 – Siena, Itália
Tel.: +39 057 746 766

Trattoria Fonte Giusta
Via Camollia, 102 – Siena, Itália
Tel.: +39 057 740 506

Zest Cafe Winebar
Costa di Sant´Antonio, 13 – Siena, Itália (em frente ao Santuário de Santa Catarina de Siena)
Tel.: +39 057 747 139

Dica extra: bem em frente ao café Zest há um beco. Siga esse beco e você sairá em uma área incrível com diversas opções de restaurantes bacanas. Depois me conte…

Primeiro prato na Itália: spaghetti a matriciana do Taverna St. Anna

Na Itália se ‘mangia’ bem e muito. No país que defende o ‘slow food’, uma refeição completa consiste em antepasto (frios, queijos etc.), primeiro prato (massa ou risoto), segundo prato (carnes, aves, peixes) com acompanhamentos (‘contorni’) à parte, salada, sobremesa (‘dolci’) e um café expresso (sempre curto).  É um desafio.

O Braun Café volta à ativa após 22 dias pela Itália, passando por dez cidades, com muitas dicas e sabores inesquecíveis na memória, mas tenho de confessar que não consegui fazer a refeição italiana 100% completa em nenhum restaurante (e eu como bastante… Pode acreditar). Veja também o toast de Siena.

Fetuccine Da Neroni (ovos, cogumelos, presunto e ervilha) e meio litro de vinho branco da casa. Boa pedida ao lado do Coliseu.

Vamos degustar as dicas por partes e cidades. No Flickr do Braun Café você pode acompanhar fotos de todos os sabores da viagem, mas aqui vou destacar os lugares mais especiais e fazer algumas recomendações. Vamos a elas:

Reserva: assim como você, os turistas saem dos seus passeios mortos de fome em busca de um bom lugar para comer ou de uma comida barata. Se quiser garantir o seu lugar em um restaurante especial, chegue bem cedo ou ligue antes e faça uma reserva (‘prenotazione’).

Gelatto de pistache e chocolate ao lado da Fontava de Trevi

Couvert: muitos restaurantes cobram o ‘coperto’, que custa 3 euros por pessoa, em média, e vale como uma taxa de serviço. Nesses locais, você não pode dispensar o couvert como faz no Brasil. O negócio é engolir o coperto, que geralmente compreende uma cestinha de pão e grissinis industrializados. Peça um ‘burro’ (manteiga) ou óleo de oliva e tudo ficará bem.

Vinho da casa: ficou perdido na carta de vinhos? Quer uma opção mais em conta? Peça o vinho da casa. Geralmente é um vinho simples, leve e uma jarra de meio litro custa 4 euros (para duas pessoas). Sai mais barato do que Coca-Cola ou suco. Se for apostar nos rótulos, as garrafas inteiras saem de 10 a 20 euros. Prepare-se para tomar vinho todo santo dia.

Pizza especial do Mamma Mia: muzzarela, beringela, espinafre, cogumelos e 'salsiccia'. É feia, mas a massa é fina e o sabor é bom

Pizza: sim… é verdade que a pizza paulistana é melhor, mas a italiana não é tão ruim assim. Para quem gosta de massa fininha e crocante, a pizza (sempre individual) é uma boa pedida, além de ser em conta. A redonda, de tamanho equivalente ao de uma pizza média daqui, custa de 6 a 8 euros e você pode até dividir se não estiver com tanta fome.  Mas a melhor pizza que comi na Itália foi em pedaço, em Veneza. Aguarde pelos próximos toasts.

Pão: O pão na Itália, especialmente em Roma, é uma dureza e sem sal. Na padaria de um supermercado romano, um vendedor cortava um pedaço do pão de cada dia para o cliente como se estivesse serrando um pedaço de madeira. A roseta romana também não era muito diferente. Só com muito presunto cru e azeite para encarar.

Mesmo com tantas opções de vinho, uma pilsen Peroni, Birra Moretti ou Nastro Azurro vai muito bem nos dias quentes.

Gelatto: O sorvete é sempre uma alegria na Itália. Em uma das tardes quentes de Roma, ao redor da Fontana de Trevi provei meu primeiro gelatto e não parei mais. Acredito que não exista sorvete ruim na Itália, mas há locais mais concorridos como a Giolitti. E aqui empresto a dica do meu amigo Paulo, que morou na Itália e é apaixonado pelos gelatti: “Gelato na gelateria San Geminiano, ao lado/frente da Fontana di Trevi. Tudo è 100% natural e a vendedora era brasileira. Aproveita para provar vários!”

Quem tem boca (e dentes fortes para comer o pão) vai a Roma e é por lá que começamos nossa viagem. Nossa primeira parada foi o simpático Taverna St. Anna, vizinho do hotel, a dois quarteirões da estação Manzoni do metrô. O spaghetti bem al dente com saboroso molho à matriciana, acompanhado do ‘vino rosso’ da casa foi um inesquecível ‘primi piatti’.

Muitas vezes ficamos satisfeitos com o antepasto e o primeiro prato. No geral a conta saía 30 euros para dois, com as bebidas e o café. Outra opção é pedir um primeiro prato e um segundo (carnes) e dividir.  Você faz a regra (exceto pelo coperto que é obrigatório).

Vinho rosé da casa no ótimo Tratoria Alle Fratte Di Trastevere

Entre muitas andanças por Roma, acabamos por optar por restaurantes da vizinhança. O Mamma Mia, por exemplo,   me surpreendeu com o ótimo cordeiro assado com batatas, além de divertidos papos com o garçom sírio e o proprietário egípcio. ‘Tutti buona gente’.

Em uma pausa para o almoço, após a visita ao Coliseu, fugimos das barraquinhas de lanches caros e duvidosos e descobrimos o Ostaria da Nerone, logo ali na área. A casa oferece boas opções de primi piatti como o Fetuccine da Neroni com molho de ovos, cogumelos, presunto, ervilhas.

Risoto de alcachofra e camarão do Trastevere. Parei no primi piatti.

O destaque de Roma ficou para o penúltimo dia, quando segui a preciosa dica de um brasileiro bom de garfo, em Trastevere. O bairro atrai muitos locais e turistas, fazendo fila nas portas de algumas cantinas que pareciam bem interessantes e rola um agito noturno legal na praça.

Anote este nome: Tratoria Alle Frate Di Trastevere. Um lugar bacana, com ótima comida e bons preços. O local estava cheio e não fiz reserva, mas a espera foi curta e agradável com uma taça de vinho branco da casa.

O restaurante oferece diversas opções de bruschetta. Provei a versão com creme de fungui, que estava boa, mas acho que a de tomates deve ser ainda melhor. Apostei no rosé da casa (mezzo litro) e em um excelente risoto de alcachofra com camarões, muito bem servido. O Dexter foi de penne ao molho de salmão e vodka (muito bom).

Um belo tiramisù na despedida de Roma

No fim, não resisti ao ‘dolci’ e provei um pedaço generoso de tiramisù. Incluindo uma caneca de cerveja grande, meia água e um café para encerrar, a conta saiu por 35 euros muito bem gastos. Na volta, de táxi, ainda passamos pelo Coliseu iluminado. Uma bela despedida de Roma, antes de partirmos para a maravilhosa Toscana, que fica para o próximo ‘toast’.

Alle Fratte Di Trastevere Via Delle Fratte Di Trastevere, 49 – Roma. Tel.: +39-06-58-35-775

Mamma Mia –
Viale Manzoni, 52/54 – Roma.  Tel.: +39-06-44-54-720

Ostaria da Nerone – Via Delle Terme Di Tito, 96 (ao lado do Coliseu) – Roma. Tel.: +39-06-48-17-952

Taverna St. Anna – Viale Manzoni, 107 – Roma. Tel.: 339-47-80-745

Café de férias

maio 15, 2011

Na correria da Av. Paulista faça uma pausa para o expresso Astro (R$ 3) do MF Café, um refúgio no 2º andar da Livraria Martins Fontes

Querido leitor,

O Braun Café vai entrar de férias e volta em meados de junho. Enquanto isso, você pode degustar mais de 280 ‘toasts’ com sobre comidinhas, bares e restaurantes de São Paulo e outras capitais brasileiras, além de dicas internacionais.

Antes de sair de viagem, deixo aqui uma recomendação: ao passar pela Avenida Paulista, na altura da Av. Brigadeiro Luis Antônio, faça uma pausa no MF Café.

O local tranquilo, escondido no segundo andar da bela Livraria Martins Fontes, oferece um bom expresso Astro (R$ 3) e um refúgio para desacelerar por alguns instantes. Você merece.

Obrigada e volte sempre!

Abraço,
Dani Braun

MF Café, na Livraria Martins Fontes – Av. Paulista, 509. Tel.: (11) 2167-9903.
Horários: Segunda a sexta, das 9h às 22h. Sábados das 9h às 19h e domingos das 13h às 19h.

Porção de bolinho de bacalhau do Tiro Liro (R$ 18) entre os bons quitutes portugueses do local

No alto da Vila Pompéia, em uma esquina tranquila da Rua Cotoxó, onde nasci e cresci, está o botequim português Tiro Liro.  Após um ano de tentativas, finalmente, a querida Tati Schnoor conseguiu me apresentar o local, em uma noite de sexta-feira para um delicioso happy hour.

Chope Brahma bem tirado com colarinho cremoso

Com o perdão do trocadilho, o Tiro Liro é de tirar o chapéu. E não podia ser diferente já que o bar aberto há sete anos pertence aos mesmos proprietários do Dona Felicidade, outra ótima pedida na Rua Tito, no bairro vizinho da Vila Romana. Mas os quitutes da família portuguesa começaram a fazer história no Pé pra Fora, um clássico na Avenida Pompéia, que já não pertence aos mesmos donos e, sem as receitas da Dona Felicidade, perdeu um pouco a graça.

Acepipes de balcão também são convidativos (R$ 5,40 - 100 gramas)

Logo na chegada, o aroma de bacalhau e a chopeira com um ‘colarinho de gelo’ do Tiro Liro determinaram a primeira pedida: uma porção com seis bolinhos de bacalhau (R$ 18) e dois chopes claros Brahma (R$ 4,90) com colarinho cremoso, na medida certa.  O bolinho estava tão cremoso que nem me incomodei com a espinha surpresa , mas recomendo mais cuidado ao pessoal da cozinha.

Linguiça caseira com provolone e orégano, acompanha pão francês fresquinho e vinagrete (R$ 24)

Os acepipes de balcão (R$ 5,40 – 100 gramas) também parecem convidativos, assim como as ostras frescas que chegam duas vezes por semana de Floripa, segundo o simpático Toninho, um dos proprietários dos bares da família, que estava dando uma força no balcão.

Amplas janelas e salão de botequim antigo convidam a horas de bate-papo

Chope vai, chope vem, pedimos a linguiça com provolone e orégano (R$ 24) muito recomendada pela Tati, com razão. A saborosa linguiça chega à mesa em uma frigideira de ferro e a cada corte feito pelo garçom, o provolone do recheio vai se apresentando. Para ficar ainda melhor, a iguaria vem acompanhada de pão francês fresquinho e vinagrete (sem pimentão… Obrigadinha!).

Mais um chope paulista (o ‘pingado’ de cevada) e outro claro embalaram nossa alegria em realizar o esperado happy hour no Tiro Liro. Confesso que demorei a conhecer o local, mas agora não demoro a voltar.

Tiro Liro – Rua Cotoxó, 1185 – Pompéia. Tel.: (11) 3868-3551
Horários: Segunda a sexta das 17h à 1h. Sábado das 11h30 às 19h.
E-mail:
donafelicidade@uol.com.br