Hooligan´s
março 21, 2009

Homenagem ao atendimento do Mulligan no Dia de São Patrício. Foto: http://www.squidoo.com/guinness-merchandise
Acho que o Dia de São Patrício é o Carnaval irlandês. Os pubs promovem Guinness a preços especiais, decoram suas casas com trevos, seus atendentes se fantasiam com as cores da bandeira da Irlanda, os clientes lotam os pubs, bebem a valer, ficam alegres e descontrolados.
Estive no pub Mulligan na última terça-feira (17/03), para comemorar o St. Patrick´s Day e tive uma boa idéia do que é uma administração ‘descontrol’. Por não cobrar entrada – ao contrário da maioria dos pubs do Clã Guinness que cobravam R$ 60 para homens com direito a um pint – o estabelecimento aberto há poucos meses atraiu uma clientela significativa até demais.
Após 50 minutos de trânsito na cidade chuvosa, eu só queria beber minha Guinness com o amigo Pedro, atualmente chef do bar Jazz nos Fundos aos sábados (que chique hein ‘Predo’?). Tinha boas recomendações da Silvia Bassi sobre a comida. E realmente o pessoal da cozinha faz um bom trabalho (ótima porção de picantes chicken wings e gostosas batatinhas ‘jacked’ com cream cheese e cheddar), o que salvou a noite. Pena que só conseguimos pedir alguma comida lá por volta da uma da manhã, quando um garçom simpático, veio nos atender. Antes disso, vou listar alguns episódios da noite:
21h – Conseguimos um cantinho no balcão do pub abarrotado e o semi-pint (menos de 400 ml) de Guinness era servido em copos de plástico. Espero seja apenas no St. Patrick´s Day.
22h – Os clientes continuavam a encher o pub. Encontramos um amigo do Pedro em uma mesa no salão inferior. Algum tempo depois, na hora de pagar a conta, os clientes viram que suas mochilas haviam sido furtadas. Sim… elas foram comprar cigarros e nunca mais voltaram… (ainda não sei como a casa resolveu isso);

"Good things come to those who wait". Foto: http://epica-awards.com
22h15 – A banda começou a tocar música irlandesa no andar de cima e animou o público a bater os pés no chão. Lá embaixo eu via o teto balançar tanto que comecei a rezar para São Patrício. Funcionou e a estrutura da casa é bem forte;
22h30 – O pub resolveu interromper a entrada dos clientes. Formou-se uma fila na porta, que não andava, mesmo após a saída de diversos clientes que também enfrentaram outra fila enorme para pagar;
22h40 – O amigo Renato foi nos encontrar e empacou na fila. Levei uma Guinness para acalmá-lo. Outras pessoas na espera não estavam tão felizes;
22h50 – O trânsito no salão era pior do que o que peguei para ir ao pub. O atendimento do bar não conseguia dar conta. Cheguei a ver um barman tentando abrir uma garrafa de cerveja com uma faca de serra. O cliente então pediu a garrafa e abriu no dente;
23h30 – Acabou a Guinness. Avisaram que teríamos de esperar a reposição, mas a Guinness também foi comprar cigarros e…
00h – As pielsens irlandesas Harp e (Oh my god!) Killkenny estava quentes. Pedi uma Eisenberg, que estava estranhamente salgada;
00h30 – O salão estava vazio e Renato tinha conseguido entrar. Pegamos uma das mesas do pub e ficamos batendo papo. No andar de cima, a banda tocava “Wish you were here” e pessoas bêbadas cantavam junto, desta vez, trançando os pés;
00h45 – Só então descobrimos que havia outra promoção: comprando uma Killkenny você ganhava mais uma. Oh my god! Finalmente começamos a aproveitar a noite.
01h – O garçom veio avisar que a cozinha estava para fechar e então pedimos nossas porções, ótimas por sinal.
02h – Pagamos a conta, a camiseta e fomos para casa. Afinal, quarta-feira não era dia de santo.
Naquela terça, cheguei a dizer que o pub devia se chamar “Hooligan´s”. Sinceramente espero que todos tenham sobrevivido ao atendimento maluco e chegado bem em casa. Eu cheguei feliz com minha camiseta da Guinness (5 pints + 20 reais) e uma conta significativa, que também vai servir de lembrança na fatura do cartão. No dia seguinte, estava no Dia de Estrupício, mas ainda quero voltar ao Mulligan, sem a bênção de São Patrício e sem carnaval.
Atualização: Voltei ao Mulligan em junho e tudo mudou. O atendimento foi ótimo. Veja o comentário neste post com 7 dicas de lugares para comer e beber em São Paulo.
AK Delicatessen e os amantes da boa mesa
março 15, 2009

Ceviche de corvina com sementes de romã - ótima opção da Restaurant Week no AK Delicatessen
A quinzena da Restaurant Week 2009 termina neste domingo. Confesso que não fiz a maratona que gostaria por vários restaurantes bacanas que oferecem menus promocionais em São Paulo, mas tive a oportunidade de provar a deliciosa comida do AK Delicatessen e ainda fazer amigos na fila de espera.
As mesas do restaurante de culinária contemporânea judaica da chef Andrea Kaufmann já estavam todas reservadas quando liguei. Segui a dica de chegar mais tarde. Às 13h45 estava na porta e ainda teria de esperar mais 45 minutos. Desisti… pensei mais uma vez (“Sábado de Restaurant Week, no AK, sem fila, seria um milagre”), dei meia volta, peguei meu livro e resolvi esperar. Estava ali sozinha por um motivo nobre e a espera valeu a pena.

Vinho bom com preço salgado: taça de Alamos Chardonnay (R$ 16)
Pedi uma taça de vinho. Como uma boa guerreira na fila de espera de um concorrido restaurante, no sábado, eu merecia um bom vinho. O Alamos Chardonnay estava ótimo. Só pequei por não ter visto os preços na carta – ninguém merece pagar R$ 16 por um quarto de garrafa de Alamos.
A espera tornou-se muito agradável, não só pelo vinho, mas pelo simpático casal que conheci na fila. Acácia, uma apaixonada por comida, e seu marido Moisés, trocaram comigo as dicas dos restaurantes que haviam visitado. O papo foi tão bom que mudei de mesa para comer a sobremesa com eles e a Acácia se animou a fazer seu blog, o Delícias da Cacá, com dicas de restaurantes e receitas.

Ótima comida, bom atendimento e visita da simpática chef Andrea Kaufmann aos clientes
O AK ofereceu um menu feito exclusivamente para a Restaurant Week – ao contrário de restaurantes como o Nakombi, onde o almoço promocional era praticamente igual ao executivo, incluindo o preço (o serviço era pior).
Escolhi o delicioso Ceviche de corvina com sementes de romã e creme de beringela. A outra opção era a bureka do dia (um folhado húngaro-judaico) com salada. O ceviche estava perfeito. Nem liguei para as folhinhas de coentro.

A escolha do prato principal foi mais difícil. Estava mentalizando o spaghetti com abobrinha, coalhada seca e perfume de limão (o prato da mesa ao lado estava convidativo), mas não resisti ao frango (coxa e sobrecoxa) com molho tagine e cuscuz marroquinho com legumes. Tenro e saboroso, o cuscuz, segundo a Acácia, deu de dez a zero na opção similar oferecida no menu promocional do Charlô. O comentário foi feito para a própria Andrea, que veio dar um alô simpático aos clientes, no salão do restaurante.

Torta de maçã verde: cítrico, doce e bate-papo sobre comida com a mesa ao lado no almoço promocional de R$ 26
Para a sobremesa não tive dúvida: torda de maçã verde. Adoro torta de maçã. A outra opção era um pudim de leite com doce de leite. Encerrei minha refeição com os pedaços cítricos da fruta envoltos no doce sabor do creme, mais um expresso e um bom papo com pessoas que adoram comer bem. Foram três horas de felicidade. Esta é minha boa lembrança da primeira edição da Restaurant Week 2009.
Ainda voltarei ao AK para provar o “Chupe peruano da Kuky”, uma sopa incrementada com camarões, arroz, ovo pochê e queijo. Segundo minha amiga Mariana Laham, fã do AK, a receita foi guardada a sete chaves por muitos anos antes de ser revelada à chef. Em breve contarei esta aventura por aqui.
AK Delicatessen – Rua Mato Grosso, 450, Consolação. Tels.: (11) 3231-4497/3129-7359.
Restaurant Week Brasil 2009… e lá vamos nós!
fevereiro 28, 2009

Galeto com cremoso arroz selvagem do Eñe. Foto: divulgação
Prepare seu roteiro “gastroeconômico”. A partir desta segunda-feira (02/03) começa a primeira temporada da Restaurant Week Brasil 2009, que vai até 15 de março, em São Paulo.
Desta vez, mais de 100 restaurantes paulistanos se uniram à causa – no ano passado eram 58 – oferecendo menus promocionais com entrada, prato principal e sobremesa por R$ 25 no almoço e R$ 39 no jantar, além de R$ 1 (opcional) destinado à Fundação Ação Criança.
No ano passado tivemos boas surpresas como o Obá Restaurante, e desagrados como o La Risotteria Alessandro Segato e o Thai Gardens. Dê uma olhada nos ‘toasts’ da Restaurant Week 2008 para evitar roubadas.
Este ano já estou de olho na AK Delicatessen, da chef Andrea Kaufmann, que oferece um cardápio ainda mais convidativo que o do ano passado. Que tal um “Ceviche de peixe fresco com creme de beringelas e vinagrete de romã”, hein?
Já fiquei feliz só de ver o cardápio do Eñe na lista da Restaurant Week. Acabei de falar deste delicioso espanhol aqui no Braun Café e as opções do menu (somente no almoço) são bem interessantes. Para fechar, a sobremesa é o creme catalão. Ótima chance de provar esse creme dos deuses e ainda degustar (fora da promoção) a tapa fria de Joselito Gran Reserva, “o jamón sem noção”.

Tordesilhas: Picadinho acompanhado de arroz, de feijão, banana da terra grellhada, ovo pochê e farofa. Foto: divulgação
Entre os novos participantes deste ano, a organização destaca os restaurantes Bistrô Charlô, Na Cozinha, Tordesilhas, Arábia, Consulado Mineiro, Marcel, Boa Bistrô, Octávio Café, Sal Gastronomia & Arte e Shintori. Dos que conheço, o Tordesilhas é uma ótima pedida – o apetitoso menu promocional vale somente para o jantar. O cardápio do jantar no Boa Bistrô também parece bacana.
Para facilitar o roteiro, o site oferece uma lista dos restaurantes que participam da Restaurant Week 2009 em pdf. E os menus promocionais de cada restaurante estão disponíveis no site do evento.
Apreciar a boa gastronomia é realmente uma ótima causa. A Restaurant Week Brasil começou em São Paulo em agosto de 2007 com uma arrecadação de R$ 6.000 para a Ação Criança. No ano passado, que teve duas edições do evento, a arrecadação saltou para R$ 62.100.00, segundo os organizadores. Faça sua boa ação e conte ao Braun Café!
Link aperitivo
fevereiro 24, 2009

Ode ao colesterol : Linguiça frita empanada nas fritas (Foto: This is why you´re fat)
Aproveitando o carnaval chuvoso, aqui vão alguns links enviados recentemente por amigos para beliscar dicas e bizarrices gastronômicas na web.
Quintandas de Minas
Desta vez, o livro deu origem ao blog. A jornalista mineira Rosaly Senra dá continuidade ao “Quitandas de Minas, receitas de família e histórias”, lançado em outubro de 2008. Aconchegue-se na deliciosa cozinha mineira – o Braun Café já se aventurou em BH duas vezes – com dicas de lugares, receitas e literatura.
Chez Pim
A tailandesa Pim deixou o emprego no Vale do Silício, em 2005, para se aventurar pela gastronomia mundial e se deu bem. As fotos do Chez Pim são de babar.
This is why you´re fat
Essa sequência de imagens com o pior da ‘trash food” é impressionante. Como você pode ver pela foto, no início deste ‘toast’, pastel de feijoada é coisa leve. Tome um efervescente antes de abrir.

Não aguenta? Bebe leite... Foto: Oddee.com
10 bebidas bizarras
Este post da revista Galileu traduz uma seleção feita pelo Oddee, que lista as mais variadas bizarrices deste mundo. O blog selecionou dez bebidas estranhas vendidas por aí. Refrigerante de pepino da Pepsi, cerveja de leite (com o infame nome “Bilk”) e gelada para crianças estão no ranking.
Somos o que comemos mesmo
A descoberta do fogo levou o homem a cozinhar os alimentos e definiu sua evolução como uma espécie única. No artigo What’s cooking? da revista The Economist, o professor Richard Wrangham, da Universidade de Harvard, mostra que quanto mais processado é o alimento, menos o corpo gasta para fazer a digestão e aí muitos evoluíram para o “This is why you´re so fat”.
Tapas y besos
fevereiro 23, 2009

Lulas grelhadas, pães variados e azeites no couvert do Eñe
Ocasiões especiais merecem sabores a altura. Nada como guardar suas melhores lembranças – a alegria de estar entre amigos e recitar ‘parabéns a você’ para não tumultuar o restaurante – no coração e no paladar.
Os espanhóis sabem muito bem disso e saem de bar em bar provando deliciosos petiscos para celebrar a vida. Então saímos de tapas para comemorar o aniversário da Cecília, no badalado restaurante Eñe Restaurante, no Itaim.

Recriações da comida espanhola com preços razoáveis
Badalado, moderno e caríssimo? Nem sempre. Ficamos nas tapas*, sem pedir os pratos principais, e provamos deliciosas reinvenções da culinária espanhola criadas pelos chefs Sergio e Javier Torres Martinez com preços que variam de R$ 12 pelo clássico ‘pan con tomate’ a R$ 18 por deliciosas vieiras servidas com espuma de salsinha.
Para acompanhar, degustamos três vinhos da carta de espanhóis bem selecionados por Karina Gentile*: um Cava (espumante da Catalunha feito no mesmo método ‘champenoise’ de Champagne) e dois tintos (incluindo um Marqués de Tomares (Rioja) – Tempranillo/Graciano 2006).
![img_3399-350x262 Linguicinhas e drinks para tapear [a fome] no balcão](https://brauncafe.com/wp-content/uploads/2009/02/img_3399-350x262.jpg?w=480)
Linguicinhas e drinks para tapear a fome no balcão
Na mesa bem arrumada, uma dupla de azeites com diferentes níveis de acidez e um potinho com cristais de sal dão graça aos pães variados (incluindo passas com nozes e alecrim) servidos constantemente pelo garçom.
Nem todas as tapas são reinventadas. O ‘pan con tomate’ e as croquetas caseras de jamón ibérico (R$ 15) seguem o mesmo jeitão espanhol, assim como as lulas (tenras e saborosas) nas versões com azeite e páprica e “elegantemente vestidas”, um trocadilho bacana para lulas a dorê.

Pan con tomate e a versão 'mansa' das 'patatas bravas'
Já as patatas bravas (ou ‘papas bravas’) do Eñe são ‘mansinhas’. No lugar da porção servida como maionese de batatas da Espanha, chegam à mesa lindos rolinhos de batatas com um toque de creme picante por cima. A ordem dos fatores faz toda a diferença no paladar. Impossível provar uma só.

Experiência: Vieiras con crema de perejil
Outra experiência interessante é a porção de “Vieiras con crema de perejil”. A porção consiste em quatro colheres de louça com um creme ao fundo e a vieira cozida coberta por uma espuma de salsinha. Siga a instrução do garçom e coloque a colher na boca de uma só vez saboreando texturas diferentes com um final cremoso. Acho que dá para sacar um pouquinho do que Ferran Adrià fez com a culinária espanhola.
Para adoçar o paladar pedimos uma degustação de sobremesas (R$ 25) que foi avidamente devorada pelos comensais. De todos os deliciosos doces, o creme catalão (R$ 11) foi o que me marcou mais. Apesar da aparência, a sobremesa não tem nada a ver com o creme brulée. Por baixo da camada de açúcar queimado surge um creme suave e saboroso.

Degustação de sobremesas: ponto para o creme catalão
Quem estiver interessando em jantar mesmo pode optar por pratos principais que variam de R$ 35 (galeto com arroz selvagem) a R$ 58 (posta de bacalhau ao azeite e aolho). O menu degustação tem versões de R$ 85 e R$ 130 e quem tem a sorte de trabalhar por perto, pode pegar o almoço executivo com paella por R$ 37 durante a semana.
Muitas tapas e muitos besos después, a conta saiu a R$ 80 por pessoa. Pelo que comi e bebi achei o preço bem razoável. Prova de que é possível se divertir, experimentar sabores diferentes, em um lugar bacana, sem gastar os tubos. Cumpleaños felices!
Eñe Restaurante – Rua Dr. Mário Ferraz, 213 – Itaim / São Paulo – SP. Tel.: (11) 3816-4333.
*Karina também fez as melhores fotos deste toast (à luz de velas).
*Entre as 13 opções de tapas fritas destaca-se o Jamón Joselito Gran reserva. Segundo o cardápio, o Joselito é “O melhor presunto cru do mundo.”


