Lado B, Lado A

julho 28, 2008

Indicar lugares bacanas para comer e beber bem, sem culpa, especialmente na conta bancária, sempre foi um dos principais objetivos deste blog. E foi com o intuito de saber se a gastronomia de um hotel cinco estrelas também é acessível às pessoas físicas, que aceitei o convite de um jantar itinerante para conhecer os novos espaços gastronômicos do Renaissance São Paulo Hotel, na terça-feira (22/07).

Após assumir meu “Lado B”, assim como outros blogueiros-jornalistas que estavam no evento, logo fui recebida com uma taça do leve, equilibrado e refrescante Taittinger Brut Reserve (R$ 198). Bom… Vale ressaltar que todo o jantar foi harmonizado com ‘vinhos top’, da importadora Expand e nesse quesito, o único argumento que harmoniza com seu bolso é o que se pode chamar de ‘preço da felicidade’. E champagne é uma bebida cara, não tem meio termo, só meia garrafa ou… Milagre de natal.

Tudo bem. Não podemos beber champagne todo dia, mas sair do trabalho, ou do cinema, na região da Avenida Paulista e fazer uma pausa para um happy hour com comida japonesa é possível, não? Essa é a proposta do Lobby Sushi, o novo sushi-bar do Renaissance, um pequeno espaço aproveitado ao lado do bar do lobby.

A degustação preparada pelo chef Herrara incluiu sushis de enguia, salmão com ovas e baby polvo. Todos muito frescos e saborosos. Mas o que me chamou a atenção foi sabor do minúsculo molusco chamado Idako, melhor do que o polvo convencional.

Carlos Eduardo Netto, diretor de bares e restaurantes do hotel, contou que o baby polvo é vendido em conserva em lojas especializadas, no bairro da Liberdade, assim como a água-viva em conserva, que também está no cardápio. Ao lado dos sushis foi servida uma cumbuquinha com o Chirashizuchi, um ‘sushi aberto’ (arroz japonês coberto com sashimis de salmão, atum e pepino) meio difícil de manobrar com o hashi, porém gostoso.


Os temakis (com preços de R$ 13 a R$ 17,50) ganham um toque especial com uma ‘temaqueira’ redonda. Não chequei a experimentar, mas pela foto não devem ficar atrás dos sushis degustados. Os preços são acessíveis. O menu do chef custa R$ 26 por pessoa e pode ser adaptado a pedido do freguês.

Harmonizar vinhos com comida japonesa não é fácil. A escolha da Expand foi o italiano Faìve Rose Brut, produzido na região do Vento com uvas cabernet sauvignon e merlot. Além do tom mais claro em relação aos rosés tradicionais, o Faìve (faísca, em italiano) é também mais leve e frutado no ponto certo para não roubar os sabores dos peixes. Preço da felicidade: R$ 78.

Continuamos nossa jornada no Terraço Jardins, o restaurante internacional do Renaissance, comandado pelo simpático Chef Gayber Silveira, eleito o melhor de toda a rede Renaissance (Brasil sil sil!).

As novidades no Terraço são um espaço reservado para o Chá da Tarde, do qual falaremos em outro toast (daaarling) e o Chef´s Table, uma degustação com harmonização de vinhos no jantar preparado pelo chef em frente aos comensais.

Na chegada, o chef Thomaz Leão já iniciava uma performance. Usando como base uma frigideira wok invertida sobre um fogareiro portátil, ele preparava uma versão do pão indiano naan, que é assado nas bordas internas do forno Tandoor. Boa idéia para quem quiser se arriscar a fazer um naan em casa. E naan ao contrário também dá naan, mas versão que degustamos tinha fermento (a massa básica do naan leva trigo, sal e uma pitada de açúcar). Menos crocante, mas saborosa.

No Terraço, o assunto é alta gastronomia. Na cozinha dos mortais, podemos reproduzir algumas idéias boas como a polenta crocante com recheio de queijo de cabra que acompanhava o macio carré de cordeiro e javali com aspargos e espuma de hortelã, a lá Ferran Adrià. “Temos de acompanhar as tendências”, disse Netto, ansioso pela vinda do gênio espanhol, em novembro, ao Brasil.

Para acompanhar o cordeiro, um vinho com nome e sobrenome, o mais top da noite: Brunello di Montalcino D.O.C.G. Pian delle Vigne 2000, do produtor Marchesi Antinori. O preço: R$ 298 – degustação de alta responsabilidade.

Criei bastante expectativa em relação à bebida, que está bem longe do meu orçamento, e acredito que igualmente do meu paladar. Sem dúvida é um vinho de alta classe, redondo, equilibrado e complexo. Ao contrário do que imaginava, no entanto, ao sorver os primeiros goles daquele Brunello, não ouvi o som de harpas celestiais e o céu iluminado não se abriu sobre a taça – com todo respeito aos 600 anos de história da família produtora. Conseguirei viver sem ele.

Na sequência, filet mignon grelhado, foie gras e palmito pupunha muito macio. Alê Blanco, do Comidinhas, ficou impressionada com o pupunha grelhado. “O meu nunca fica assim”, comentou. E o chef Silveira deu a dica: retire o pupunha da casca, sele na frigideira e depois deve ao forno médio. Boa.


Gostei de estudar os sabores do fígado de ganso derretendo na boca, com um fim levemente adocicado. A experiência foi saborosa e menos complexa com uma taça do Terrunyo Carménère Peumo Valley 2005, uma das preciosidades da Concha Y Toro. O vinho de aroma frutado, encorpado e elegante, sai por R$ 133 para o consumidor. É uma delícia e pode até caber no bolso, um dia.

Pela qualidade do cardápio e dos vinhos, o Chef´s Table vale quanto pesa. Os interessados pagam R$ 190 reais pela experiência.

Quem busca uma refeição mais leve, em calorias e preços, pode apostar no Bytes (belo trocadilho), novo restaurante-lanchonete-cibercafé do Renaissance. E foi lá, ao lado da academia e do spa urbano do hotel, que provamos as mini sobremesas. E, me desculpe, mas diante do delicioso creminho brulée de pistache, do cintilante mousse de framboesa e do copinho de mousse de chocolate meio-amargo, mandei as calorias às favas, ou melhor, à barriga.


O jerez seco e envelhecido Lustau Solera Reserva Península Palo Cortado foi um cavalheiro com todas as sobremesas e superou o vinho do Porto – escolha inteligente da sommelier. Anote o nome e compre sem medo: Lustau Solera Reserva Península Palo Cortado, por R$ 135.


O Bytes ainda merece uma visita. Não houve tempo ou espaço para provar os sanduíches que estão no cardápio que decora uma das paredes. O chef recomendou o de carpaccio de picanha defumada, mostarda Dijon e cebola caramelizada no pão de sete grãos. Quem trabalha na região também pode optar por pratos saudáveis como hambúrguer de salmão, filé mignon orgânico e penne integral com pesto e confit de tomate, saladas ou o Flat Bread, uma massa bem fininha, assada com 20 opções de recheio. Hummm…


Depois da experiência voltei para casa pensando no Brunello do Montalcino. Talvez a alta gastronomia não esteja ao meu alcance, talvez eu invista mais no ‘preço da felicidade’ ou então tente reproduzir algumas dicas valiosas em casa.

Gostei muito das propostas acessíveis do sushi-bar e do Bytes, que entram no circuito do Braun Café. E agora, no fim deste toast gigante, peço licença para voltar ao meu Lado A, e escrever sobre outros bytes. Até a próxima!

Renaissance Alameda Santos, 2233, Jardins (SP). Tel.: (11) 3069-2233.

Fotos: Dani Braun. Milagres: Calenda, Dexter e suas ferramentas maravilhosas.

Ali na mesa

julho 26, 2008

Por Renata Mesquita*


Os rodízios de sushi continuam proliferando pela cidade, mas se você nunca experimentou certas preciosidades (nenhum docinho feito à base de feijão ou balas de alga, por exemplo) ou não teve a sorte (que, quando pequena, eu julgava azar) de ter um japonês legítimo por perto para fazer você comer coisas estranhas como lâminas de alga secadas ao sol versão stand alone, cortadas em tirinhas, chamadas Kombu, (Valeu, seu Takeshi!), não pode dizer que seja um admirador de verdade da culinária nipônica.

As tirinhas

Ter sido forçada a voltar para a acupuntura, e com tempo para realizar as sessões apenas aos sábados, trouxe para a minha vida a realização de um desejo que eu acalentava há muito tempo: frequentar mais o bairro da Liberdade. Cada visita tem sido uma descoberta. Gastronômica e consumista.


Mas a maior delas se deu por indicação de nosso japonês Mário Nagano: o Restaurante Katsuzen fica escondido, tem mesas simples e cara de estabelecimento “de raiz”, uma proprietária que é uma figura e sempre vem perguntar o que você achou da refeição. Um de seus sushimen é proveniente do Nordeste (como já foi comprovado cientificamente, eles têm um dom natural para a coisa, apesar da falta quase total de japoneses na colonização de nossos belos estados nordestinos). Ah, e tem opções chinesas, também, no cardápio. Tudo muito simples, sem frescura nenhuma.

Se um dos charmes do Katsuzen é o fato de ele lembrar qualquer restaurantezinho que você encontraria de verdade no Japão fora das áreas turísticas, o apelo gustativo é que ele é especializado em milanesas. Enormes e gordos filés de contra-filé ou de carne de porco ao gosto do freguês, servidos com gohan, missô, pepininhos, repolho e tomates. De entrada, uma saladinha exótica que mistura macarrão de fécula de inhame, presunto, pepino, cebola roxa, tomate e… pedacinhos de omelete!! Isso sim é que é experimentar algo japonês de verdade!


Se você não gosta de fritura (tá, tá, eu sei que faz mal, mas a massa pelo menos não tem gosto de óleo), fique tranqüilo: o Katsuzen tem sushi, sashimi, guioza, tempura (inclusive na versão doce, de sorvete), yakissoba e mais uma porção de pratos com nomes típicos que ainda não consegui decorar, sempre a la carte. Independente da sua “corrente” oriental, vale pelo clima e pela experiência!!

*Renata Mesquita é jornalista e adora descobrir novas delícias para o Braun Café. Fotos: Henrique Martin.

Quitutes celestiais

julho 24, 2008

Outro dia tive um tempinho para visitar o Mosteiro de São Bento e não pude resistir aos quitutes vendidos na loja, perto da saída. E me perdoem os trocadilhos, mas o pão de mel Benedictus recheado de geléia de damasco (R$ 5) é dos deuses e as bolachinhas amanteigadas com mel e água de flor de laranjeira (R$ 10) são de comer ajoelhado.

Devo confessar que cometi um pecado. Prometi as bolachinhas aos queridos Kay e Mau, mas acabei não resistindo. Elas estavam ali no armário, perfumadas e… é isso aí Magali.

(Último exemplar do amanteigado com flor de laranjeira antes da foto tirada por Henrique Martin)

Peço perdão aos amigos. Prometo voltar ao mosteiro para comprar mais dessas bolachinhas, que devem ficar divinas com aquele expresso cremoso que vocês preparam.

Ainda falta ir à missa do Domingo às 10h, com apresentação de canto gregoriano, provar o Bolo dos Monges (R$ 40), o pão São Bento de mandioquinha (R$ 12) e outros quitutes celestiais (dê uma olhada na área de Gastronomia do site). O papa ainda deve sonhar com eles.

Caipirrriña

julho 18, 2008

Que tal ensinar o preparo da nossa tradicional capirinha a seus amigos gringos? Pois a Cachaça Leblon tem a dose certa para adoçar suas relações diplomáticas.

No site Perfect Capirinha, seus brothers ‘do estrangeiro’ encontram o vídeo de uma brasileira explicando, tin tin por tin tin, como se faz uma capirrriña com lime, sugar and ‘catchaça’, of course.

A idéia é divulgar a cachaça tipo exportação feita em Patos de Minas (MG), que chega ao Brasil este mês, após ter desfilado por Nova York, Paris e Londres. Achou chique? Pois a fabricante ainda destaca que a produção é comandada pelo top destiller francês, Gilles Merlet, e que a bebida é apresentada em uma “garrafa de alta costura francesa – feita com vidro cristalino da Normandia”. Ainda falta provar ‘oui’ Uai!

O que a morena não conta é um segredinho revelado pelo Souza, premiado barman do Veloso Bar, ao amigo Alê Scaglia. Para tirar o amargor do limão retire a parte branca na lateral de cada pedaço cortado, antes de amassá-lo com o açúcar.

A dica da caipirinha para os gringos e da variação de jaboticaba servida no Veloso estão na terceira edição do podcast Now! Café, um bate-papo bem-humorado sobre o mercado de tecnologia, que estreamos no IDG Now!. Venha tomar um cafezinho com a gente, acompanhado do bolo de chocolate de 5 minutos, que a Lygia testou duas vezes!

Hambúrguer no Balcão

julho 16, 2008


Nada como comer um bom cheese salada no balcão, sem frescuras e direto ao que interessa. Melhor ainda em frente ao chapeiro do Seu Oswaldo, do Joakins ou do Oregon. Mas quando me chamaram para ir ao Bar Balcão, não pensei em hambúrguer. Logo me lembrei do imenso balcão que serpenteia todo o salão do bar e convida o paulistano a se socializar após alguns chopes.

Desta vez, com os amigos Calenda e Ana Luiza, fiquei no mezanino, apreciando a serpente de madeira lá de cima, e o assunto não era o chope Brahma (leve e gostoso, mas não dos melhores de SP) e sim os sanduíches do Balcão.

Quando cheguei, eles já estavam acomodados com seus chopes em frente a uma convidativa porção de fritas (bem sequinhas e macias). A pedida era o hambúrguer com molho de gorgonzola, mas a curiosidade me levou a espiar o cardápio. A dúvida me abriu o apetite. Até o vegetariano com chutney de manga me passou pela cabeça.


Segui a recomendação inicial e o ‘cheese salada’ de gorgonzola superou minha expectativa. Diria que está pau a pau com o Drop Kick, servido no Clube Belfiori, embora a parece de carne do burguer do CB seja inigualável.

A versão do Balcão vem aberta no prato, com tomate e uma saladinha verde, que não serviu só de enfeite. A carne estava no ponto e o molho também. Ótima pedida. Difícil vai ser não repetir a escolha. Pra variar, peço o hambúrguer de gorgonzola do Balcão no balcão mesmo.

Bar Balcão – Rua Doutor Melo Alves, 150, Jardim Paulista. Tel: (11) 3063-6091.
Funcionamento: Segunda a sábado, das 18h às 2h. Domingo até 1h.