Almoço por R$ 33 com entrada (2 opções), prato principal (7 opções) e sobremesa (3 opções). Foto: divulgação

Sim. É possível almoçar em um restaurante bacana, em São Paulo, pagando um preço honesto, fora da temporada da Restaurante Week. O italiano Seraphini, que também participou da quinzena de menus promocionais, oferece normalmente um menu completo com duas opções de entrada, sete de prato pincipal e três de sobremesa por 33 reais durante a semana.

Couvert: Crostini apimentado, pão caseiro e caponata

O lugar discreto, com três salões muito bem decorados, é ideal para impressionar em um almoço de negócios ou agradar os mais chegados. O legal é que o preço mais acessível não impede que o menu executivo fuja do trivial.

Caprese com rúcula em novo formato

Estive por lá com meus pais, que são bem exigentes para restaurantes, fomos muito bem atendidos e ganhei pontos com eles. O couvert (cortesia) tem cestinha com crostini apimentado, torradas e pães de alecrim feitos na casa – as massas também são preparadas por lá – manteiga e caponata.

Salada de alface com risoni e peito de peru

Na entrada, a melhor escolha foi a salada de alface crespa com risoni, pedacinhos de peito de peru e abacaxi. A caprese com rúcula estava bem apresentada, com bastante azeite, mas senti falta de um balsâmico.

Leve ravioli de bacalhau da casa com molho de alho poró

Entre as diversas opções de principais, meu pai escolheu o mais light: namorado grelhado com legumes (beringela, mandioquinha, abobrinha e cenoura). Minha irmã não resistiu ao corte argentino de carne com batatas (pediu quase bem passado, o que eu acho um crime, mas ainda assim a carne estava macia) e minha mãe escolheu o leve e saboroso ravioli de bacalhau com molho de alho poró.

Cordeiro glaceado com batata doce (excelente e bem servido)

Resolvi apostar na sugestão do chef: cordeiro assado ao alecrim com molho glaceado e batatas doces. Foi o prato que mais impressionou. A porção também era a mais generosa, a carne estava derretendo e ficou perfeita com as batatas doces – e olha que não sou muito chegada nelas.

Namorado grelhado com legumes

Todos os pratos estavam muito bem montados. As porções não são muito grandes (exceto o cordeiro) mas é o ideal para um almoço com menu completo. Afinal ainda temos a sobremesa.

Pão de mel macio bem casado com doce de leite

Destaque para o pão de mel meio amargo e muito macio, quebrando com um toque de doce de leite por cima. A massa da tortinha de limão que pedi estava ótima, mas achei a consistência do recheio muito líquida e senti falta do sabor do limão. No fim, o saldo foi positivo. Um bom expresso e a conta – muito justa para o nível do almoço.

Torta de limão (creme bem líquido e pouco limão)

A casa também oferece seu menu baseado em clássicos da cozinha italiana, tanto no almoço como no jantar. Os preços são mais acessíveis na comparação com outros italianos como o Empório Ravioli, por exemplo.

As sugestões do chef  Rogério Giudice parecem valiosas: polenta branca italiana, com gema de ovo, salsa de trufas e Grana Padano de entrada, stinco de javali com fagioli, garoupa com crosta de macadâmia e molho de beterraba ou bavette ao nero de seppia com frutos do mar.

Seraphini – Alameda Jaú, 1303 (Esquina com a Ministro Rocha Azevedo). Tel.: (11) 3081-1160
Horário: Segunda, das 12h às 15h; Terças, Quartas e Quintas, das 12h às 15h e das 19h à 0h; Sexta, das 12h às 15h e das 19h à 1h; Sábado, das 12h às 16h e das 19h à 01h; Domingo, das 12h às 17h. Aceita cartões.

Pudim à luz de velas

fevereiro 6, 2010

Como fiquei sem fotos, esta é uma das 31 ideias para luz de velas da revista http://www.casa.com.br (Foto: Editora Abril)

Entre dezenas de lugares escondidinhos de São Paulo está o Les Delices de Maya, uma pequena e charmosa doceria aberta há mais de dois anos e meio, na Vila Madalena, onde a jovem Maya serve doces, lanches e pratos para o almoço.

A Maya até começou a fazer faculdade de gastronomia, mas herdou da família de origem japonesa a arte de descobrir novos sabores na prática. Além de bolos e outros doces, a casa serve quiches, sanduíches como o croque-monsieur (o ‘misto quente francês’), massas e saladas.

Como a doceria só abre durante a semana – sorte de quem mora ou trabalha na área – passei por lá em um feriado da cidade, e encontrei o local aberto, na Mourato Coelho, ao lado do boteco São Bento, o ‘polêmico bar do chope Sol‘.

Naquela tarde, o bairro todo estava sem energia, minha irmã e eu já tínhamos almoçado então entramos no lugar, à luz de velas, para dar uma espiada. Acabamos divindo um delicioso e bem servido pudim de leite, pedimos uma água com gás e ficamos apreciando a coleção de batedeiras antigas que fica acima dos freezers cheios de quiches, massas e molhos vendidos para viagem.

Felizmente a conta (R$ 6) foi bem doce porque nenhuma das duas atentou para o fato de que, sem energia, não seria possível usar cartão.

Adorei esta preciosa dica da leitora Cris Sato e espero voltar logo para provar outras ‘delices’. Infelizmente, as fotos não saíram e o ‘toast’ ficou no escuro, mas na próxima visita trago as imagens das lindas batedeiras ‘anos 60’.

Les Delices de Maya – Rua Mourato Coelho, 1.044 – Vila Madalena. São Paulo – SP. Tel: (11) 3813-3498. Segunda a sexta das 10h às 19h30. (Fecha aos sábados e domingos).

SubAstor - drinks com a elegância dos filmes noir

O noturno SubAstor, antigo andar inferior do boteco Astor, na Vila Madalena, é um bom endereço para quem busca um ‘esquenta’ antes da balada, um happy hour mais intimista ou a saideira para fechar a noite com ‘garbo e elegância’.

Cosmopolitan (R$ 17) e caipiroska entre 40 opções de drinks no balcão iluminado

Estive por lá no ano passado, tomando um drink sossegado antes de ir para casa e gostei muito do estilo ‘clube noturno anos 40 (ou 50)’ do local. E mesmo antes, o ‘sub-solo do Astor’ já seguia uma linha diferente do iluminado salão principal.

Esquenta, fim de noite ou happy hour intimista entre sub-30s e sub-40s

No clima ‘filme noir’ – exceto pela fumaça de cigarro que fica lá fora – ou no “estilo speakeasy dos bares clandestinos da lei seca” (do Paladar) frequentadores sub-30 ou sub-40 se aconchegam em cadeiras de couro vermelhas, entre cortinas de veludo do mesmo tom e prateleiras de garrafas à meia luz. Outros, como eu, Cecília e Dexter, se acomodam no balcão iluminado onde Cosmopolitans (R$ 17) e Dry Martinins (R$ 21) são preparados como manda o figurino.

Dry Martini (R$ 21) servido como manda o figurino

A carta com mais de 40 drinks e coquetéis inclui vodkas especiais como a Ketel One (nada de “Vodka Baryshnikov – Bebeu Dançou” da TV Pirata). Para harmonizar, o menu oferece porções especiais como os Hot Canapés de presunto cru, picanha (muito bom) e beringela (R$ 17). Se estiver com fome mesmo, aquele maravilhoso picadinho de carne do Astor pode descer, mas a empadinha de camarão o Sub vai ficar lhe devendo.

SubAstor – Rua Delfina, 163, Vila Madalena, São Palo – SP. (11) 3815-1364 (Embaixo do Bar Astor). Horários:  Sexta e Sábado das 20h às 4h. Segunda a Quinta das 20h às 3h. Fecha domingo. Aceita cartões.

Rocambole de chá verde da Nami Choux

Confeitaria da escola francesa, com toque oriental e ambiente cosmopolita. Esta é a Nami Choux Boulangerie, uma boa pedida para tomar um café, chá da tarde ou almoçar, com estilo e traquilidade, no bairro do Paraíso.

Se estiver perto da Estação Brigadeiro do Metrô, desça dois quarteirões na Rua Manuel da Nóbrega e faça uma pausa para provar uma bomba de creme ou o suave e macio rocambole de chá verde, uma das criações da simpática Nami.

Eclairs de diversos sabores estão entre as doces tentações da casa

Nami passou dois anos no Japão trabalhando em uma empresa de catering onde passou por todas as modalidades da cozinha, mas se apaixonou pela arte da confeitaria.

Na área de quitutes para viagem ou para presente, prove os deliciosos amanteigados de laranja e os ótimos brioches. Entre outras tentações produzidas na casa estão alfajores, pães de mel e fatias de pão-de-ló colorido (‘rainbow cake’). O cardápio também oferece sanduíches e quiches com saladas para o almoço.

Pães e bolos caseiros como o 'rainbow cake' para viagem ou presente

A pedido dos vizinhos, a Nami também prepara especialidades das padarias japonesas como o ‘melon pan’ e o ‘cream pan’.

Além de bater papo e relaxar no ambiente com design moderno e pé direito alto, tomando um Café do Centro, é possível reservar o salão superior para eventos. E até o final deste semestre, a Nami Chox também começa a oferecer um brunch, nos finais de semana.

Aconchegante e moderno, local tem salão superior para eventos

Nami Choux – Rua Manoel da Nobrega, 521, Paraíso – São Paulo – SP. Terça a domingo das 11h às 21h. Aceita todos os cartões de crédito, Visa Vale e Ticket Restaurante.

Depois do caos da Santa Ifigênia, o chope suave de colarinho cremoso é a recompensa

Tomar um chope do Bar Leo, no sábado, por volta das 13h, é a melhor recompensa para quem enfrentou o caos da Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo.

Outro dia estive por lá com o Dexter e uma listinha de compras incluindo cabos, alicate amperímetro e bateria de telefone sem fio. Passei pelos churrasquinhos de gato que esfumaçavam a multidão e pela horda de camelôs, sem reclamar. Afinal, em algumas horas tomaria o chope de colarinho alto e cremoso do Leo.

Chope une palmeirenses e corinthianos que tomam a calçada nas 17 mesinhas do lado de fora

Naquele sábado, o pequeno bar estabelecido na esquina da ruas Aurora e dos Andradas desde 1940, estava lotado de pessoas apoiando seus chopes nas mesinhas altas da calçada.

Cheguei no horário de pico, por volta de 13h30, ignorei o bar apinhado, entrei e pedi uma mesa ao Gaúcho, o simpático garçom que atende a área próxima à cozinha. Em poucos minutos, quatro lugares estavam disponíveis. Parece milagre, mas a real é que as pessoas gostam de apreciar o chope do Leo em pé mesmo, sem frescura. A lei antifumo também colabora.

O maravilhoso bolinho de bacalhau do Leo (R$5) servido às quartas e sábados. Peça logo dois

Para acompanhar seu chope (R$ 5), peça o bolinho de bacalhau (R$ 5 cada), que é servido somente às quartas-feiras e aos sábados. Aliás, peça logo dois porque esse quitute preparado pelas donas Maria e Marlene é delicioso. Só perdeu o primeiro lugar na minha lista quando provei o bolinho do Bar do Plínio, no Limão. No sábado, elas disseram que chegam a preparar mais de mil bolinhos no Leo.

Donas Maria e Marlene: mil bolinhos de bacalhau no sabadão

Como a especialidade da casa é a cozinha alemã, prove os canapés variados (R$ 22) de pão preto com pasta de roquefort, de azeitona e linguiça moída (o melhor). O sanduba de rosbife (R$ 13) no pão francês cortadinho também é ótimo. E às sextas-feiras, o bacalhau volta a aparecer no cardápio. Dizem que a bacalhoada do Leo é uma delícia. Tentei provar uma vez, nas férias, mas cheguei tarde e o prato do dia já havia acabado.

Canapés variados (R$22) são especialidade

Folclore
O Leo só serve chope claro com o colarinho alto e não tente ‘piratear’. Já ouvi histórias de pessoas que pediram menos colarinho e o garçom recomendou que fossem ao bar do lado. O folclore botequeiro também conta que alguém pediu chope escuro e o garçom respondeu que era só apagar a luz.

A maioria adora esse chope Brahma, bem tirado, do jeito que sempre foi. Até corinthianos e palmeirenses deixam as diferenças de lado depois do primeiro gole.

"Quer chope escuro? Apaga a luz"

Graças a estes apreciadores, incluindo aqueles que se refrescam carregando suas sacolinhas pretas de plástico com um novo HD ou um ‘iFone‘, o Leo serve de 1.920 a 2.400 chopes em um único sábado. Santo remédio.

Bar Leo – Rua Aurora, 100. Tel (11) 3221-0247. Horários: Segunda a Sexta das 11h às 21h30. Sábados das 10h às 18h.