Izakaya Issa: o ‘quente’ da Liberdade
agosto 22, 2010
Junte a curiosidade com a vontade de comer e você vai descobrir o maravilhoso mundo da culinária japonesa, que não está nos rodízios. O bairro da Liberdade é o cenário perfeito para isso, mas é necessário ter as fontes certas. Recentemente, o amigo e gourmet Alê Daloia me apresentou o Izakaya Issa, um pequeno restaurante na Rua Barão de Iguape, comandado pelas simpáticas senhoras Margarida e Takai, que reserva grandes descobertas entre as iguarias do Japão.
Para garantir seu agradável jantar sem esperar muito é recomendável fazer reserva alguns dias antes. Estive por lá em uma sexta-feira às 20h30 (em ponto) e às 9h30 as poucas mesas e o balcão já estavam lotados de locais ou pessoas que, como nós, adoram descobrir lugares especiais em São Paulo.
O modesto e aconchegante Izakaya Issa é, na verdade, um bar de saquês ou shochus (aguardente de batata, arroz e cevada leve e tão perigoso como o saquê) cujo cardápio oferece uma variedade de iguarias para acompanhar as bebidas de seus frequentadores – muitos deles com seus nomes escritos nas garrafas atrás do balcão.
Na prática e diante do valor da dose de saquê (R$ 20 o importado e R$ 15 o nacional), nos concentramos nos quitutes com cervejinha gelada de garrafa. Começamos com uma entrada de quatro sabores (R$ 20): nabo deliciosamente temperado com um leve toque de pimenta, acelga curtida, berinjela refogada e peixe frito escabeche.
Vale aqui fazer uma pausa para as louças. Do apoio de hashi, ao copinho de sushi em porta-copo de crochê, tudo é servido em alguma peça que parece ter sido guardada cuidadosamente pela família, há anos, o que dá um ar ainda mais especial ao restaurante.
Começamos a degustação dos petiscos pelo tempurá de lulas muito macias, que merece o trocadilho de ‘lulas adorei’. A porção acompanha o molho de tempurá, mas a dona Margarida recomenda provar somente com sal. Aliás, siga as recomendações destas atenciosas senhoras e você vai se dar bem. O peixe meca grelhado que pedimos na sequência, por exemplo, não está no cardápio e é uma deliciosa recomendação.
Antes do ‘prato principal’ também pedi um Chawan Mushi, que vi entre as dicas do frequentador Marcelo Katsuki. Ao destampar a linda cumbuquinha de louça você encontra um creme de ovos cozidos no vapor, com cogumelos shitake e shimeji, bem leve de tempero e quentinho para confortar o estômago.
E chegou a hora do esperado e tão falado Okonomyiake, a ‘pizza japonesa’, como apelidou Daloia. A massa da ‘redonda’ leva repolho picado, pedacinhos de frutos do mar, maionese e molho tarê, salpicada com raspas finíssimas de peixe, que ficam ‘dançando’ com o calor do prato. Essa, de fato, é uma iguaria deliciosa e diferente de tudo que já provei na culinária japonesa. Só de espiar nas mesas ao lado dá pra sacar que é um dos carros-chefe da casa.
Para fechar a primeira noite da confraria de curiosos e gulosos pedimos os bolinhos de polvo. A princípio pedimos meia porção, o que só é possível se outra mesa também pedir os bolinhos já que são preparados em uma grelha especial com forminhas redondas (já tinha visto em um episódio de ‘No Reservations’ em Osaka). No fim das contas devoramos uma porção de saborosos bolinhos e fomos felizes para casa após um banquete de novos sabores do Japão. É Issa aí!
Izakaya Issa – Rua Barão de Iguape, 89 – Liberdade. São Paulo – SP. Tels.: (11) 3208-8819 / 7677-4910. O estacionamento ao lado que sai por menos de R$ 10. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café.
Delícias do leste
agosto 7, 2010
* Por Jordana Viotto
As placas com palavras ininteligíveis, esquisitas e até engraçadas (Droga Pozarowa!, algo como rotas de incêndio, pelo que pude ver nos tradutores online) são o primeiro indício de que a comunicação não será nada fácil. Ainda mais em um lugar como a Polônia, em que pouquíssima gente fala inglês.
Mas você consegue se virar com alguns ingredientes:
– duas palavras: Dzień dobry (/dindobre/ = bom dia, boa tarde, oi, serve pra muita coisa) e Dziękuję (/djenkúiê/ = obrigado)
– criatividade para gesticular
– sorte para encontrar pessoas dispostas a ajudar turistas perdidos. É, às vezes, nem os profissionais como atendentes ou garçons estão com AQUELA vontade. Em compensação, é possível achar pessoas tão bacanas que são capazes de desviar seu caminho para te ajudar.
A primeira coisa que notei quando dei minha primeira caminhada por Varsóvia é que as ruas parecem cenários de filme, de tão charmosas. As floreiras pelas calçadas, os prédios históricos e os cafés e restaurantes com mesinhas na calçada dão aquele ar de cidade romântica e, ao mesmo tempo, descolada.
Não dá pra chegar à Polônia e não provar uma vódega de cara. Não experimentei muitas, mas posso dizer que a Wiborowa é uma boa pedida. Leve, suave, pode ser tomada pura, com gelo ou em um drinque. E garanto: mesmo se você der uma abusadinha (inha), não dá ressaca no dia seguinte.
Se o seu negócio for cerveja, aposte na popular lager Lech.
A especialidade culinária local, o pierogi, só experimentei quando cheguei à Cracóvia. O pierogi parece um ravioli – uma massa recheada – mas tem um sabor peculiar. A massa é mais leve e o gosto vem principalmente do recheio, que pode ser de carne, repolho ou queijo. Experimentei o de carne e o de queijo. Adorei os dois.
A experiência foi especial porque o restaurante que eu e minha companheira de viagem escolhemos era em frente ao castelo real da cidade, monumento obrigatório aos visitantes. Não me lembro do nome do restaurante, mas é fácil achá-lo. Fica em uma esquina (Straszewskiego com Podzamcze) quase em frente à rampa que leva à entrada do castelo e tem guarda-sóis verdes, da Heineken. Gastamos menos do que o equivalente 25 reais por duas porções e dois chopes, combustível ideal para a viagem de oito horas até Praga.
Viajamos durante a noite e, quando chegamos lá, tomamos um café da manhã ‘delícia’ no Hotel City Centre. Frutas, pães, geléias, manteiga, iogurte caseiro, leite. Isso mais um quarto lindo e limpíssimo no centro da cidade por 55 euros a diária – uma das melhores ofertas locais entre os hotéis.
(Nota: em Praga, dá para se virar no inglês.)
Depois de uma volta pelo centro – que é tão charmoso quanto as duas outras cidades -, mais uma pausa. Ao redor da praça principal (Old Town Square) há vários restaurantes e cafés ‘bacanudos’ onde demos uma pausa para uma cerveja. Um pint por 10 reais. Ok, caro. Mas tomar uma Pilsner Urquell (a tcheca que mais encontramos nos restaurantes e bares) observando o movimento da praça principal de Praga não tem preço.
Ainda na linha “15 minutos de glamour e riqueza”, fomos até o restaurante Kampa Park, à beira do rio Vlatva. Um daqueles locais onde você só encontra os “bem-nascidos” de… do mundo inteiro. Pra não perder a pose e não deixar as calças, pedimos uma porção de queijos (Roquefort, Camembert du Calvados, Comtesse di Vicky, Selles-sur-Cher) por 50 reais (é, bem caro… mas tem ‘valor agregado’ J), duas cervejas por 7 reais e uma sobremesa (Strawberry cappuccino com sorvete de baunilha, merengue e frutas silvestres) pela “bagatela” de 20 reais.
E apesar do imenso gasto e das porções nada imensas, o serviço nem é tão bom. Só vá pela pausa à beira do rio e pelos 15 minutos de glamour e riqueza…
Subimos até o castelo da cidade e passamos por uma barraca de “super fresh drinks”. Necessário nos mais de 30 graus do verão de Praga.
Na descida, passamos por um parque onde há vários cafés e restaurantes legais a preços ok e uma winery. Não comemos, mas deu vontade. Se tivesse um dia a mais, certamente aproveitaria.
No dia seguinte, o almoço foi mais modesto no preço e mais caprichado no tamanho. Comemos no Malostranská, comida típica tcheca a preços ok, em frente ao Museu Kafka (obrigatório). O queijo com cerveja é legal pelo inusitado (mais ou menos 6 reais), mas a salsicha assada na cerveja preta (7 reais) é simplesmente espetacular. Para acompanhar, o repolho é uma boa pedida.
Para terminar, não dá pra pular a visita ao Viva Praha (Rua Celetna, 10, pertinho da praça principal), uma (fantástica) fábrica de chocolates onde dá pra ver o pessoal preparando as balinhas e docinhos, visitar o Museu do Chocolate e, claro, comprar doces para a família toda. E, no caso das garotas, para as TPMs do ano inteiro.
*Jordana Viotto sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida. Se quiser mais dicas do leste europeu, leia também o post da Cecília, que esteve por lá no ano passado e também adorou.
Comer, beber, amar, blogar
julho 31, 2010
Junte uma porção de pessoas que apreciam a boa mesa, se aventuram em fogo alto e adoram compartilhar suas pitadas gastronômicas. Acrescente harmonizações com boas bebidas e bate-papos a gosto. Esta aí a receita do #RangoCamp, evento que reuniu blogueiros de gastronomia no final de junho, em São Paulo, do qual tive a alegria de participar.
No convescote muito bem organizado por @juliareis, @rainhasdolar, @cozinhamatilde e @cozinhapequena, os participantes eram convidados a levar um quitute ou preparar uma receita na Cozinha da Matilde. A linda casa da chef Letícia dedicada a eventos, jantares e aulas de culinária, na Vila Madalena, tem um quintal tão gostoso que fez o tempo parar naquele domingo ensolarado.
Confesso que fiquei bem indecisa quanto à receita, até que recebi uma luz: “Por que você não faz o Braun Café?”, disse a Rê Mesquita lembrando da receita de brigadeiro de colher com café solúvel criada por ela e Henrique em homenagem ao blog.
Lá fui eu me meter na cozinha com a minha irmã, Fabi, muito interessada na receita que você encontra logo abaixo. Para o evento, fiz uma apresentação em copinhos descartáveis de plástico com três versões de cobertura, para fazer um laboratório: bolinhas crocantes de chocolate, farofas de castanha de caju e de pistache.
A apresentação ficou ótima e a história da receita trouxe algumas lições interessantes. Para começar, deu um trabalhão colocar o brigadeiro esfriando nos copinhos. Uma boa opção é ter o saquinho para confeitar. Sem este utensílio, tive de limpar cuidadosamente as beiradas de cada copinho, o que me vez quebrar o plástico de dois deles, exigindo a ‘migração’ para outro recipiente. Por isso, cozinhar exige muito amor e carinho.
A segunda lição foi que o bom improviso na cozinha vem com a experiência. E aí entra em cena Marisa, minha mãe, acrescentando creme de leite ao Braun Café. Na verdade, sobrou espaço na bandeja dos brigadeiros, tínhamos somente mais um pouco de leite condensado e então Marisa deu a ideia. Relutei um pouco, mas o resultado ficou bacana, com sabor mais suave do que o original. O trabalho para colocar nos copinhos, entretanto, foi o mesmo.
A terceira e última lição é que nem sempre o brigadeiro fica para a sobremesa. No RangoCamp, participei de uma degustação com as saborosas cervejas Bamberg, fabricadas artesanalmente em Votorantim (SP). Entre as harmonizações recomendadas pelo especialista Edu Passarelli, sócio do bar Melograno, estavam doces a base de café. E aí o Braun Café entrou na roda, com cerveja – acredito que tenha sido para a Bamberg Schwarzbier.
O evento ainda contou com degustações às cegas e de cachaças Fulô (não cheguei a participar, mas ganhei uma Nêga Fulô de presente no sorteio. Oba!), além de inúmeras delícias.
Entre as receitas que provei estavam escabeche de sardinha em polenta italiana grelhada, pernil derretendo com tomates assados, guacamole feita na hora, carnes e legumes grelhados à moda japonesa, ou yaki nikku (o ‘churrasco com hashi’).
Para sair de lá com gostinho de quero mais, ainda provei a Francesinha, cachaça curtida com favas de baunilha, perigosamente saborosa. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café e na página do evento.
Outros destaques foram uma delicada massa com molho de alho poró e um toque de peixe defumado, parecido com haddock, o inusitado e delicioso petit gateau de pequi (o ‘pequi gateau’), brownie com chocolate branco e um bolo confeitado com o tema do #RangoCamp.
Depois de trocar ideias com pessoas tão bacanas, que amam a gastronomia como profissão ou como ‘Lado B’ da vida, e de sentir nas mãos o ‘peso’ (na realidade, a ‘leveza’) de uma faca Global, que o chef Anthony Bourdain recomenda, saí de fininho, contente por ter participado deste delicioso universo, já na espera pelo próximo #RangoCamp.
Ah sim. A receita do Brigadeiro Braun Café segue abaixo. Na hora de ir embora vi minha bandeja vazia. Sinal de que deu certo. Pode tentar fazer em casa:
‘Brigadeiro Braun Café’
– 1 lata de leite condensado
– 2 sachês de café solúvel (uso o Nescafé Tradição Stick)
– 2 colheres de sopa rasas de chocolate em pó (Dois Frades ou Cacau em pó Mavalério – dica da @adrianaaranha)
– 1 colher de copa de manteiga sem sal
Opções de cobertura: Color Bolinhas Decor Festa , farofa de pistache ou de castanha de caju sem sal (meia xícara da castanha descascada e batida no processador)
Preparo
– Adicionar o leite condensado na panela em fogo baixo, acrescentar a manteiga, os sachês de café solúvel e dissolver. Na sequência acrescentar o chocolate em pó peneirado na hora e mexer continuamente até chegar ‘ao ponto de colher’. Acrescentar o brigadeiro aos potinhos ainda quente e cobrir com as bolinhas ou a farofa de castanha de sua preferência.
Junte uma porção de pessoas que apreciam a boa mesa, se aventuram em fogo alto e adoram compartilhar suas pitadas gastronômicas. Acrescente harmonizações com boas bebidas e bate-papos a gosto. Esta aí a receita do RangoCamp, evento que reuniu blogueiros de gastronomia no final de junho, em São Paulo, do qual tive a alegria de participar.
No convescote muito bem organizado por @juliareis, @rainhasdolar, @cozinhamatilde e @cozinhapequena, os participantes eram convidados a levar um quitute ou preparar uma receita na Cozinha da Matilde. A linda casa da chef Letícia dedicada a eventos, jantares e aulas de culinária, na Vila Madalena, tem um quintal tão gostoso que fez o tempo parar naquele domingo ensolarado.
Confesso que fiquei bem indecisa quanto à receita, até que recebi uma luz: “Por que você não faz o Braun Café?”, disse a Rê Mesquita lembrando da receita de brigadeiro de colher com café solúvel criada por ela e Henrique e batizada em homenagem ao blog.
Lá fui eu me meter na cozinha com a minha irmã, interessada na receita, que você encontra logo abaixo. Para o evento, fiz uma apresentação em copinhos descartáveis de plástico com três versões de cobertura, para fazer um laboratório: bolinhas crocantes de chocolate, farofas de castanha de caju e de pistache.
A apresentação ficou ótima e a história da receita trouxe algumas lições interessantes. Para começar, deu um trabalhão colocar o brigadeiro esfriando nos copinhos. Uma boa opção é ter o saquinho para confeitar. Sem este utensílio, tive de limpar cuidadosamente as beiradas de cada copinho, o que me vez quebrar o plástico de dois deles, exigindo a ‘migração’ para outro recipiente. Por isso, cozinhar exige muito amor e carinho.
A segunda lição foi que o bom improviso na cozinha vem com a experiência. E aí entra em cena Marisa, minha mãe, acrescentando creme de leite ao Braun Café. Na verdade, sobrou espaço na bandeja dos brigadeiros, tínhamos somente mais um pouco de leite condesado e então Marisa deu a ideia. Relutei um pouco, mas o resultado ficou bacana, com sabor mais suave do que o original. O trabalho para colocar nos copinhos, entretanto, foi o mesmo.
A terceira e última lição é que nem sempre o brigadeiro fica para a sobremesa. No RangoCamp, participei de uma degustação com as saborosas cervejas Bamberg, fabricadas artesanalmente em Votorantim (SP). Entre as harmonizações recomendadas pelo especialista Edu Passarelli, sócio do bar Melograno, estavam doces a base de café. E aí o Braun Café entrou na roda, com cerveja – acredito que tenha sido para a Bamberg Schwarzbier.
O evento ainda contou com degustações às cegas e de cachaças Fulô (não cheguei a participar, mas ganhei uma Nêga Fulô de presente no sorteio. Oba!), além de inúmeras delícias.
Entre as receitas que provei estavam escabeche de sardinha em potenta grelhada, pernil derretendo com tomates assados, guacamole feita na hora, carnes e legumes grelhados à moda japonesa, ou yaki nikku, o ‘churrasco com hashi’), delicada massa com molho de alho poró e um peixe bem defumado, parecido com haddock, o inusitado e delicioso petit gateau de pequi (o ‘pequi gateau’), brownie com chocolate branco e um bolo confeitado com o tema do Rango Camp.
Para sair de lá com gostinho de quero mais, ainda provei a Francesinha, cachaça curtida com favas de baunilha, perigosamente saborosa. Veja mais fotos no Flickr do Braun Café.
Depois de trocar ideias com pessoas tão bacanas, que amam a gastronomia como profissão ou como ‘Lado B’ da vida, e de sentir nas mãos o ‘peso’ (na realidade, a ‘leveza’) de uma faca Global, que o chef Anthony Bourdain recomenda, saí de fininho, contente por ter participado deste delicioso universo, já na expectativa pelo próximo RangoCamp.
Ah sim. A receita do Brigadeiro Braun Café segue abaixo. No final da festa, fui pegar minha bandeja e estava vazia. Sinal que deu certo. Pode tentar fazer em casa:
‘Brigadeiro Braun Café’
– 1 lata de leite condensado
– 2 sachês de café solúvel (uso o Nescafé Tradição Stick)
– 2 colheres de sopa rasas de chocolate em pó (Dois Frades ou Cacau em pó Malavério – dica da @adrianaaranha)
– 1 colher de copa de manteiga sem sal
Opções de cobertura: Color Bolinhas Decor Festa , farofa de pistache ou de castanha de cajú sem sal (meia xícara da castanha descascada e batida no processador)
Preparo
– Adicionar o leite condensado na panela em fogo baixo, acrescentar a manteiga, os sachês de café solúvel e dissolver. Na sequência acrescentar o chocolate em pó peneirado na hora e mexer continuamente até chegar ‘ao ponto de colher’. Acrescentar o brigadeiro aos potinhos ainda quente e cobrir com as bolinhas ou a farofa de castanha de sua preferência.
No meio do caminho tinha uma placa…
julho 24, 2010
‘O Gaulês – Restaurante francês‘. Quando bati os olhos na placa em um cantinho da Estrada de Piracaia (caminho para a Pousada Fazenda Serrinha onde passei um final de semana em junho) logo pensei ´bistrô + gaulês = tenho de conhecer esse lugar´. Fiz um desvio e me aventurei por sete quilômetros de estrada de terra às quatro da tarde para conhecer o local. Cheguei a pensar que era uma ilusão gastronômica, mas finalmente cheguei à casa, fechada, sem campainha…
Nada de desistir: batidas no portão, palmas e algumas buzinadas depois, o simpático maitre, Ademar, abriu as portas para o novo restaurante especializado em culinária francesa da região.
Aberto em meados de maio, O Gaulês é o novo projeto de Isabelle Rocha, chef francesa nascida na região de Cognac, e especialista em molhos. Ela já comandou outro bistrô na região de Bragança Paulista por 20 anos e agora, ao lado da filha e sub-chef Cecilia, agita a cozinha centrada em clássicos da culinária francesa como confit de pato, blanquette de vitela, ragout de carneiro, entre outros.

Couvert com terrines de pato e pernil, patê de ricota com ervas, azeitonas e pepino em conserva (R$ 30 para duas pessoas)
Felizes da vida com nossa aventura, voltamos ao restaurante para jantar no sábado, à luz de velas. A sugestão da chef, que foi nossa escolha, a própria Isabelle faz questão de explicar aos comensais: confit de coxa de pato marinada por 24 horas com temperos e vinho (R$ 54, a média de preço dos pratos ´carro-chefe´ da casa).
Começamos pelo ótimo couvert (R$ 30) com terrines de pato e pernil, patê de ricota fresca com ervas, azeitonas pretas chilenas, picles de pepino e cestinha de pão italiano. Seguindo o tema, escolhi um vinho francês da região de Côtes-du-Rhône (R$ 60), mas me pareceu uma opção mais interessante aos rótulos chilenos e nacionais na mesma faixa de preço.

Isabelle, a chef, na cozinha de seu novo projeto: bate-papo com os clientes antes de sugerir os pratos
Todas as porções, do couvert à sobremesa, são fartas. Para acompanhar a imponente coxa de pato (R$ 54), batatas sautée, legume gratinado à sua escolha (abobrinha, meu legume favorito, claro), além de arroz branco. Arroz? Pois é… foge da proposta, na minha avaliação, mas estava bem soltinho e gostoso. Imagino que seja uma demanda dos clientes.
Pato não é fácil, exige dedicação e uma boa receita – quem já tentou fazer em casa sabe disso – mas a carne estava muito macia e deliciosa. O gratinado de abobrinha ao molho branco e as batatinhas sautée cortejaram muito bem o confit.
Com tanta fartura cheguei a pedir a carta de sobremesas só para dar ‘uma olhadinha’ em respeito à chef, mas não resisti à sugestão de pêra com calda de chocolate meio amargo e lâminas de castanhas. No fim, quase não consegui pedir o café expresso, acompanhado de um ‘mimo digestivo’: uma taça de Cointreau.
Entre as sobremesas, a sugestão da casa é o bolo feito com nozes colhidas na nogueira do jardim e sorvete de creme, se desejar. Mas desta vez só conheci o quitute ‘de vista’, ao visitar a espaçosa e bela cozinha, após o jantar, bater papo com a Isabelle e dar parabéns à equipe pelo excelente jantar.
O Fábio também foi brincar um pouco nos instrumentos da área reservada para apresentações de música ao vivo, geralmente aos sábados. E lá descobriu um piano Washburn centenário adquirido pelo dono da casa, Sr. Adriano, por apenas R$ 900 (em três vezes!). Achados são assim, inesquecíveis, e devem ser compartilhados.
O Gaulês Restaurante Francês – Estrada Municipal José Benedito de Souza, km 3, Bairro do Rio Acima. Vargem – SP. Telefones.: (0xx11) 4598-4271 /(0xx11) 7547-0906/ (0xx11) 7547-1517. O site www.restauranteogaules.com.br ainda está em construção, mas O Gaulês tem perfil no Facebook.
Depois de contar a aventura do Gaulês a alguns amigos e colegas de redação soube que a região tem uma série de ‘achados gastronômicos’ e merece outras expedições gourmet. A Carol Mendl, que também adora boa comida e frequenta a área, recomenda A Estalagem Dom João e O Francês, listados entre estas dicas de restaurantes em Bragança Paulista do Guia 4 Rodas.


















































